
Senador considera compreensível a viagem do aliado aos Estados Unidos após decisão sobre passaportes; Polícia Federal havia apontado risco de saída do país
O senador Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, saiu em defesa de Flávio Bolsonaro após a notícia de que o parlamentar viajou para os Estados Unidos com a mulher e as duas filhas. Em publicação nas redes sociais na terça-feira (27), Moro afirmou que o Brasil está longe da normalidade institucional e considerou compreensível a decisão do aliado de deixar o país.
Na mensagem, Moro questionou a determinação para recolher os passaportes de Flávio, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de domingo (25). “Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição?”, escreveu o senador. Em seguida, afirmou que, nesse contexto, a saída de Flávio do Brasil seria compreensível.
Moro, no entanto, não comentou os motivos apresentados pela Polícia Federal para solicitar a medida nem as investigações em andamento contra o senador do PL.
PF apontou risco de Flávio deixar o país
A viagem ocorreu em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano de Flávio. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a medida foi autorizada na segunda-feira (26), após um pedido da Polícia Federal apresentado no dia anterior.
A PF afirmou haver risco concreto de que o senador deixasse o território nacional. Para justificar a preocupação, a corporação citou o caso de Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio, que também é investigado em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
De acordo com o documento enviado ao STF, Tomaz estaria nos Estados Unidos desde 25 de agosto de 2026, sem registro de retorno ao Brasil, apesar de uma determinação judicial que o proibia de deixar o país e previa o cancelamento de seus passaportes. A Polícia Federal apresentou o episódio como um precedente para fundamentar o pedido relacionado a Flávio.
A justificativa da corporação, portanto, foi baseada no risco de saída do país apontado durante a investigação. Já Moro concentrou sua manifestação nas consequências políticas e institucionais da decisão judicial.
Moro esteve ao lado de Flávio na campanha
A declaração do senador paranaense ocorre depois de sua participação ativa na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Após o resultado, Moro afirmou que a maioria dos eleitores do Paraná havia se posicionado contra Lula, mas reconheceu que a vitória do presidente não era o desfecho esperado por seu grupo político.
Ao defender a saída de Flávio do país, Moro se soma às críticas de aliados do senador às decisões do Supremo. A discussão, porém, envolve dois aspectos diferentes: o questionamento político sobre a atuação das instituições e os fundamentos apresentados pela Polícia Federal para pedir o recolhimento dos documentos.
A ordem foi autorizada por Alexandre de Moraes no âmbito da investigação. A Polícia Federal apontou risco de evasão, enquanto Moro classificou o cenário institucional como anormal e considerou compreensível a viagem do aliado aos Estados Unidos.

