
Federação formada por PT, PCdoB e PV se une a partidos do Centrão em torno da reeleição do deputado paraibano; bloco reúne cerca de 360 parlamentares eleitos e busca influenciar o comando da Casa a partir de 2027
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu entrar na articulação pela reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. O movimento aproxima a legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de partidos do Centrão e integra uma estratégia para evitar que o PL conquiste o comando da Casa na próxima legislatura.
A decisão foi anunciada na terça-feira (27) e aprovada por unanimidade pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Com a adesão, a candidatura do deputado paraibano ganha o respaldo de partidos de diferentes campos políticos, enquanto a esquerda tenta ampliar sua influência nas decisões do Congresso Nacional.
O apoio também ocorre em meio à reorganização das forças políticas para o próximo mandato presidencial. Para o PT, a composição com partidos de centro pode ajudar a garantir espaço para as pautas do governo e dificultar que a oposição, especialmente o PL, controle a agenda legislativa.
Aliança reúne cerca de 360 deputados eleitos
O grupo que declarou apoio à reeleição de Motta reúne cerca de 360 deputados eleitos para a próxima legislatura. Além da Federação Brasil da Esperança, a articulação conta com União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PSB, PDT e as federações PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.
A soma supera os 257 votos necessários para eleger o presidente da Câmara em primeiro turno, considerando a participação dos 513 deputados. O apoio partidário, no entanto, não representa garantia de vitória: a votação é secreta, e os parlamentares podem divergir da orientação de suas legendas.
A eleição da Mesa Diretora está prevista para 1º de fevereiro de 2027. A disputa não envolve apenas a escolha do presidente, mas também a distribuição de cargos na Mesa e a composição das comissões permanentes, espaços importantes para definir prioridades e conduzir a tramitação de projetos.
O PL, por sua vez, terá a maior bancada individual da próxima legislatura, com 121 cadeiras. Mesmo com essa força numérica, ficar fora do bloco que se organiza em torno de Motta pode reduzir o espaço do partido na divisão dos postos de comando da Câmara.
PT quer garantir espaço para pautas do governo
Ao justificar o apoio, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), defendeu a construção de uma composição capaz de ampliar a participação da esquerda nas decisões legislativas e criar condições para avançar nas propostas do governo Lula.
Entre as prioridades citadas estão políticas sociais, direitos das mulheres e soberania nacional. A estratégia petista é negociar com partidos de centro para construir uma base de apoio em um Congresso que terá forte presença de legendas de direita.
A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), também defendeu a articulação para impedir que o PL assuma o comando da Câmara e do Senado. A parlamentar destacou a importância de manter canais de diálogo com os movimentos sociais e garantir espaço para pautas defendidas pela esquerda.
Já o líder do PV, Aliel Machado (PR), manifestou apoio à continuidade de Motta no cargo e citou temas como a redução da jornada de trabalho e medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs).
Articulação envolve também o Palácio do Planalto
A movimentação em torno da presidência da Câmara ocorre enquanto o governo Lula busca fortalecer sua relação com as lideranças do Congresso para o próximo mandato. A formação de uma maioria parlamentar é considerada importante para viabilizar propostas do Executivo em um Legislativo marcado pela diversidade de interesses partidários.
Na segunda-feira (26), Lula recebeu Hugo Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada. O encontro ocorreu durante as articulações para o próximo período de governo e reforçou o diálogo entre o Executivo e os comandos das duas Casas legislativas.
A disputa pela presidência da Câmara, portanto, também envolve a capacidade de cada grupo de influenciar a agenda política nacional. O comando da Casa tem papel central na definição dos projetos que avançam, na organização dos trabalhos legislativos e na distribuição de espaços de poder.
Com o apoio do PT e de outras siglas, Hugo Motta amplia a base política de sua candidatura à reeleição. Para os petistas, a aliança com partidos de centro é uma aposta na negociação como forma de sustentar a agenda do governo e conter o avanço do PL no comando do Legislativo.

