Dias após pedir união na direita, Michelle pode deixar o PL e se filiar ao Republicanos

Publicado por: redacao em

Ex-primeira-dama defendeu Tarcísio, Damares e Malafaia após ataques no campo bolsonarista; agora, articulação para mudar de partido expõe os movimentos em torno do futuro da direita

Poucos dias depois de fazer um apelo público pela união da direita e sair em defesa de aliados atacados após a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro pode estar prestes a dar um novo passo político: deixar o PL e migrar para o Republicanos.

A possível mudança foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, e envolve conversas conduzidas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima da ex-primeira-dama. A articulação ocorre em meio a relatos de insatisfação de Michelle com os filhos de Jair Bolsonaro e com a direção nacional do PL, comandada por Valdemar Costa Neto.

O movimento chama atenção pelo momento em que acontece. Em 30 de outubro, Michelle publicou uma mensagem nas redes sociais na qual negou que Jair Bolsonaro estivesse responsabilizando aliados pelo resultado eleitoral. Na ocasião, defendeu nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Damares Alves, o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia.

Três dias depois, veio à tona a articulação para aproximá-la do Republicanos, partido de Tarcísio. A sequência de acontecimentos coloca Michelle novamente no centro das movimentações políticas da direita e levanta questões sobre o espaço que pretende ocupar na reorganização do grupo bolsonarista.

Michelle pediu união e saiu em defesa de aliados

A manifestação de Michelle ocorreu depois que a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos provocou reações e expôs divergências entre integrantes da direita. O senador havia sido derrotado na disputa presidencial e, após deixar o país, publicou uma carta que inicialmente o apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. O texto foi alterado posteriormente.

Em publicação nos stories do Instagram, Michelle afirmou que o momento exigia prudência e união, não a procura por culpados. Segundo ela, Jair Bolsonaro demonstrava gratidão pelo empenho dos apoiadores que participaram da campanha do filho.

A ex-primeira-dama também rebateu manifestações que atribuíam ao ex-presidente críticas a aliados. Citou nominalmente Tarcísio, Damares, Nikolas e Malafaia e afirmou que Jair mantinha por eles respeito, carinho e gratidão.

“Meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados”, escreveu.

A mensagem foi interpretada como uma defesa de aliados que vinham sendo alvo de cobranças dentro do próprio campo conservador. O governador paulista, por exemplo, havia defendido o respeito ao resultado das urnas e relatado ter aconselhado Flávio a não deixar o Brasil.

Damares articula aproximação com o Republicanos

A possível mudança de partido foi noticiada por Lauro Jardim, em O Globo. De acordo com a informação, Damares Alves participa das conversas para viabilizar a filiação de Michelle ao Republicanos.

A articulação ganha relevância porque a legenda abriga Tarcísio de Freitas, uma das principais lideranças da direita. Uma eventual entrada de Michelle no partido poderia aproximá-la de um grupo político que também tem sido mencionado nas discussões sobre os rumos do campo conservador.

Segundo informações reproduzidas pela Revista Fórum, a ex-primeira-dama estaria descontente tanto com os filhos de Jair Bolsonaro quanto com a condução do PL por Valdemar Costa Neto. A insatisfação teria aberto espaço para conversas sobre uma possível saída da legenda.

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que Michelle tenha decidido deixar o partido.

Atritos com Flávio expõem disputa por espaço no bolsonarismo

As divergências entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro não começaram com a derrota eleitoral. A ex-primeira-dama já havia protagonizado desentendimentos públicos com Flávio e com os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, especialmente em discussões sobre decisões políticas e alianças do grupo.

A indicação de Flávio pelo pai para disputar a Presidência ampliou a atenção sobre essas diferenças. Michelle não participou de atos públicos da campanha do enteado, segundo a Revista Fórum, e manteve uma atuação política própria durante o período eleitoral.

Agora, a possível mudança para o Republicanos acrescenta um novo elemento a esse cenário. Em vez de permanecer vinculada exclusivamente à estrutura partidária do grupo familiar, Michelle poderia ampliar sua articulação com outras lideranças da direita.

Movimento próprio ganhou força com o projeto “Imparáveis”

A construção de uma identidade política própria também aparece no movimento “Imparáveis”, lançado por Michelle em julho, quando ainda estava à frente do PL Mulher.

A iniciativa foi apresentada nas redes sociais como uma mobilização em defesa de pautas como justiça e liberdade. A Revista Fórum relaciona o projeto à tentativa de consolidar uma base de apoio própria para a ex-primeira-dama, movimento que identifica como “Michellismo”.

Uma eventual filiação ao Republicanos poderia dar novo espaço partidário a essa articulação. Além da proximidade com Damares, Michelle passaria a integrar a mesma legenda de Tarcísio, em um momento de reorganização das forças políticas que orbitam o bolsonarismo.

O que a possível saída de Michelle representa para o PL

A eventual saída da ex-primeira-dama teria repercussão dentro do PL, partido que concentra parte importante das lideranças ligadas a Jair Bolsonaro. Michelle construiu projeção nacional durante o governo do marido e ampliou sua presença política ao comandar o segmento feminino da legenda.

A mudança, caso se confirme, não será apenas uma troca de sigla. Ela ocorrerá depois de uma sequência de episódios que expôs divergências entre Michelle, Flávio e outros integrantes do núcleo familiar, ao mesmo tempo em que Tarcísio e outras lideranças passaram a ocupar espaço nas discussões sobre o futuro da direita.

Por enquanto, Michelle pede união publicamente, mas também aparece no centro de uma articulação que pode alterar seu lugar dentro do bolsonarismo. A possível filiação ao Republicanos ainda depende de confirmação, mas já revela que as disputas pelo espaço político da direita continuam abertas.

Share

Você pode gostar...