
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam adotar uma estratégia de cautela diante dos movimentos políticos do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República. Entre os episódios que preocupam a Corte estão a saída do parlamentar do Brasil rumo aos Estados Unidos e a divulgação de uma carta na qual se declarou o “verdadeiro presidente eleito” do país.
Segundo informações publicadas pelo UOL, integrantes do Supremo consideram que uma eventual prisão preventiva ou a imposição de novas medidas cautelares neste momento poderia trazer desgaste à instituição. A avaliação é de que ignorar as provocações de Flávio pode contribuir para enfraquecê-lo politicamente, sobretudo diante do distanciamento de alguns aliados.
A postura também é compartilhada por ministros próximos a Alexandre de Moraes. Enquanto isso, as investigações relacionadas ao caso Dark Horse e à suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz devem continuar normalmente.
A situação ganhou novos contornos após Flávio deixar o país sem entregar os passaportes à Polícia Federal (PF), contrariando uma determinação judicial. A corporação pediu autorização para realizar buscas em endereços ligados ao senador, com concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes, no entanto, ainda não autorizou a operação.
A decisão de não avançar imediatamente com as buscas foi interpretada por integrantes do Supremo como um possível sinal de mudança na condução do caso. No domingo (25), horas após a derrota eleitoral de Flávio, Moraes havia determinado a apreensão dos passaportes do parlamentar diante do risco de fuga, que se concretizou dois dias depois.
Outro fator considerado pelos ministros é a disputa pela Presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027. Integrantes do STF avaliam que o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ganhou força para permanecer no comando da Casa e tem buscado aproximação com setores da direita bolsonarista.
Entre as articulações está a possibilidade de Alcolumbre apoiar propostas de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro em troca de apoio à sua recondução ao cargo.
Nesse cenário, também preocupa o julgamento da Lei da Dosimetria pelo plenário do STF. A legislação, aprovada pelo Congresso, prevê a redução das penas de condenados pelos atos golpistas e a diminuição do tempo necessário para progressão de regime.
A aplicação da lei está suspensa por decisão de Moraes desde 9 de maio. Um ministro ouvido pelo UOL defende que o processo seja levado ao plenário ainda em 2026, evitando que o assunto avance para 2027 e amplie a exposição política do Supremo em meio às articulações no Congresso.

