PT inicia negociações com partidos para definir ministérios do quarto governo Lula

Publicado por: redacao em

O PT iniciou, nesta semana, uma rodada de conversas com presidentes de partidos políticos para discutir a composição ministerial do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A articulação busca definir a participação das legendas aliadas no futuro governo e estabelecer critérios para a distribuição de ministérios e outros cargos na administração federal.

As primeiras reuniões estão sendo conduzidas pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, a quem Lula delegou a tarefa de iniciar as negociações. Neste primeiro momento, Edinho tem solicitado aos dirigentes partidários propostas para o país e estimativas de quantos votos cada legenda poderá garantir ao governo no Congresso Nacional.

Até agora, foram recebidos representantes de pelo menos quatro partidos: MDB, PSD, PSB e União Brasil. As conversas também envolveram siglas que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A orientação do Planalto é sinalizar que as divergências da campanha eleitoral ficaram para trás e iniciar uma nova etapa de articulação política.

Segundo relatos de interlocutores ouvidos pela Folha de S.Paulo, não houve discussão sobre ministérios específicos. A expectativa é que a definição dos nomes para as pastas comece a partir do final de novembro.

Nos encontros, Edinho tem destacado que o governo pretende mudar a forma de construir alianças, priorizando uma relação institucional com os partidos. A intenção de Lula é ter maior clareza sobre o apoio efetivo que cada legenda poderá oferecer nas votações do Congresso, especialmente em pautas consideradas prioritárias para a próxima gestão.

Em uma segunda etapa, o próprio presidente deverá avaliar os nomes indicados pelos partidos. Lula já sinalizou que não pretende aceitar indicações baseadas exclusivamente em acordos políticos. A expectativa é que os escolhidos apresentem propostas e planos de atuação para os respectivos setores antes de serem confirmados no comando dos ministérios.

O PT também solicitou às legendas uma agenda institucional, com as principais propostas e reformas defendidas por cada partido. O objetivo é identificar pontos de convergência e divergência e antecipar possíveis dificuldades na relação com os futuros aliados.

O tratamento nas conversas tem variado conforme o posicionamento de cada legenda durante a eleição. Aos partidos que apoiaram Lula desde o primeiro turno, Edinho tem adotado um tom mais próximo, com sinalizações de que haverá espaço na composição do governo. Nesse grupo estão PSB, PDT, Rede e PCdoB, além das siglas federadas ao PT.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), classificou a reunião com Edinho como um primeiro contato para aproximar as partes. Segundo ele, a conversa também abordou a pauta econômica e as propostas do partido para o país. O dirigente afirmou que a legenda pretende manter uma relação de colaboração com o governo em temas considerados relevantes.

Após concluir as consultas aos presidentes partidários, Edinho deverá apresentar a Lula um balanço das reuniões. A partir dessas informações, o presidente assumirá diretamente as negociações sobre a reforma ministerial.

Atualmente, o governo conta com 38 ministérios. Esse número poderá chegar a pelo menos 39, caso seja confirmada a criação do Ministério da Segurança Pública.

No terceiro mandato de Lula, partidos de centro, como PSD, MDB e União Brasil, ficaram com três ministérios cada. Posteriormente, outras legendas do Centrão, como PP e Republicanos, também foram acomodadas na estrutura do governo. Apesar da distribuição de cargos, o Planalto enfrentou dificuldades para garantir o apoio integral das bancadas dessas siglas em votações no Legislativo.

A composição ministerial é considerada uma das principais ferramentas do Executivo para assegurar governabilidade no Congresso. A estratégia ganha ainda mais importância diante da expectativa de que Lula chegue a 2027 com uma base parlamentar menor, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.

No Senado, o cenário é considerado mais delicado para o governo. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), aparece como possível candidato à presidência da Casa a partir de fevereiro. Nesse contexto, a distribuição de ministérios e cargos também poderá fazer parte das articulações para fortalecer a candidatura à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao comando do Congresso.

O PL deverá contar com 29 senadores, além de três parlamentares do Novo, partido que integra o campo de oposição ao governo. Já o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, tem priorizado a articulação em torno da permanência de Alcolumbre na presidência do Senado.

Embora a discussão sobre nomes ainda seja considerada antecipada pelo governo, algumas movimentações já indicam possíveis mudanças na Esplanada. Lula pretende manter o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no Palácio do Planalto, o que poderá abrir espaço para alterações no comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, atualmente ocupado por ele.

O presidente nacional do PSB, João Campos, também é cotado para assumir um ministério, com a possibilidade de ocupar a pasta da Ciência e Tecnologia.

Já o PSD, presidido por Gilberto Kassab, manifestou interesse em manter André de Paula no Ministério da Agricultura e indicar um representante ligado à bancada da Câmara dos Deputados para o Ministério da Pesca.

O futuro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, permanece indefinido. Apesar de ser filiado ao PSD, ele não conta com o apoio da cúpula da legenda para permanecer no cargo. O partido considera Silveira uma indicação pessoal de Lula e espera receber outra pasta de relevância na próxima composição ministerial. Entre os nomes citados para integrar o governo está o do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

 

 

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