Os saudosistas dos crimes do século XX – por Felipe Nunes

A declaração criminosa e infeliz do influencer Bruno Aiub, mais conhecido como Monark, sobre a legalidade de um partido nazista no Brasil, ocorrida recentemente no podcast Flow, é um exemplo cabal de como a sociedade brasileira do século XXI ainda está presa e simpática a crimes ocorridos no século passado. Seja na defesa velada dessas atrocidades ou em sua relativização.

No caso em tela, o debate era sobre os limites da liberdade de expressão, com a participação dos deputados Kim Kataguiri e Tabata Amaral. Para o líder do MBL, o nazismo não deveria ter sido criminalizado na Alemanha, para que, segundo ele, a ideologia de Hitler pudesse ser exposta e combatida abertamente, no campo das ideias.

Faltou, no mínimo, bom senso com a História.

Bastaria ao deputado lembrar a forma como 6 milhões de judeus foram mortos no holocausto, um tenebroso extermínio de um grupo religioso, étnico e cultural que marcou a história da humanidade.

A mobilização popular às falas reproduzidas no podcast levaram a demissão do apresentador Monark e a um pedido de desculpas do deputado, que disse ter sido mal interpretado nas redes sociais. Eles vieram a público esclarecer que não são nazistas e não fizeram apologia à ideologia de Adolf Hitler.

Toda essa discussão nos leva a uma constatação: a de que os crimes do século passado continuam a ser relativizados. Ou romantizados. Em alguns casos, até homenageados. Se as declarações do influenciador e do parlamentar federal podem ser traduzidas como produto da falta de bom senso, de cautela ou de amadurecimento no debate público, há quem defenda, de fato, os crimes do século passado.

O nazismo, o fascismo, o comunismo, em campos distintos da guerra passada, são faces da mesma moeda que tiveram e têm até hoje, adeptos.

Há, de fato, quem odeie judeus, no Brasil. Há quem odeie a casa dos judeus: o Estado de Israel. Há quem negue a ligação histórica e milenar desse povo com sua terra, o que é uma maneira indireta de endossar o discurso antissemita.

Apesar da banalização do termo, que passou a ser utilizado como ferramenta de xingamento político sem embasamento histórico ou científico no Brasil, não se pode duvidar da existência de notórios ‘fascistas’ em nosso país, defensores das ideias de Benito Mussolini. Não se pode duvidar que há, entre nós, simpatizantes de Hitler.

O amor humano esfriou, como profetizou Cristo há 2 mil anos. Há até os crimes contra a humanidade que, infelizmente, são homenageados até o dia de hoje, com consentimento involuntário da maioria. Há ditadores disfarçados de democratas com sede de poder.

Nem o fim da União Soviética ou queda do Muro de Berlim, que puseram fim à Guerra-Fria, foram capazes de estancar a simpatia de muitos brasileiros pelos crimes praticados por Lenin ou Stalin, que até hoje recebem honrarias como se tivessem sido grandes estadistas. Há, por exemplo, quem seja capaz de minimizar o genocídio de Holodomor e as 15 milhões de mortes causadas pelo comunismo soviético.

Finalizo dizendo que, o primeiro passo para evitar ser simpático a qualquer dessas ideologias totalitárias e criminosas, é tendo conhecimento sobre elas. Sejamos conhecedores, mas jamais saudosistas dos crimes praticados no século XX. Nem no presente século.

Minha solidariedade aos judeus de todas as partes do mundo!

Felipe Nunes

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