
Nonato Guedes
Exercendo o seu primeiro mandato de senador pela Paraíba, o emedebista Veneziano Vital do Rêgo, que já foi prefeito de Campina Grande, deputado federal e estadual, declarou em entrevista exclusiva ao “Polêmica Paraíba” que está enfrentando uma disputa desigual, diante de pressões e instrumentos materiais utilizados por adversários, cujos nomes não mencionou diretamente, num verdadeiro festival de abusos. Mesmo assim, se disse confiante na sua reeleição, pelos serviços prestados a municípios e à população, pelo apoio de prefeitos e líderes políticos interioranos e pelos resultados de sua atuação política-parlamentar em mais de sete anos. Ele foi eleito em 2018 pelo PSB, quando era aliado de João Azevêdo, que concorria ao governo e também saiu vitorioso. Rompeu com João, deixou o PSB e ingressou no MDB, tornando-se presidente estadual com a morte do ex-senador José Maranhão. No páreo por uma das duas vagas em disputa este ano, enfrentará João Azevêdo, o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, do Republicanos, e o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, do PL. Fará dobradinha dentro do partido com o ex-prefeito de Sousa, André Gadelha, que está no exercício do mandato de deputado estadual.
As queixas maiores de Veneziano, quando fala em desigualdade, parecem dirigidas ao ex-prefeito Nabor Wanderley, presidente estadual do Republicanos e pai do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara Federal. “Não desconheço que competidores dispõem de instrumentos materiais, conquistados em fontes não muito reveladoras, de forma ilegítima ou ilícita, com utilização de instrumentos absolutamente nada republicanos”. O senador do MDB disse que é legítimo o direito de Nabor de pleitear a candidatura. “O que causa estranheza é a forma como foi essa candidatura foi sugerida, imposta por razões fundadas em novas condições que surgiram de fevereiro de 2025 para cá e que são claramente vinculadas a condições materiais, orçamentárias, do que a um histórico que fundamentasse a candidatura”. Veneziano refere-se, subliminarmente, à ascensão de Hugo Motta ao comando da Câmara e à declaração dele de que o pai seria eleito senador, para surpresa de alguns analistas na Paraíba.
Veneziano reiterou que vem lutando incansavelmente para ser reconduzido ao Senado e aposta na identificação de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com bandeiras e propostas que ele tem defendido ao longo deste primeiro mandato. A respeito da disputa para o governo do Estado, ele acredita que será acirrada e que seguramente haverá segundo turno, ao comentar as postulações do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), do governador Lucas Ribeiro (PP) e do senador Efraim Filho, do PL. “Tenho confiança plena que a candidatura que nós defendemos ao governo, a do ex-prefeito Cícero Lucena, é uma candidatura viabilíssima, competitiva, como os números mostram”. Ressaltou, além do mais, a vasta experiência de Cícero, que foi eleito quatro vezes para a prefeitura de João Pessoa. “Essa vivência de homem público faz dele um candidato fortíssimo. Mas não deixaremos de estar atento à influência da máquina no transcurso das eleições”.
A ENTREVISTA:
Qual a avaliação que o senhor faz deste primeiro período de mandato que exerce no Senado Federal?
Posso dizer que é uma experiência gratificante e diferenciada poder representar o Estado da Paraíba num Parlamento de tamanha importância, como é o Senado Federal, e tem sido, graças às venturosas bênçãos de Deus e à nossa dedicação junto ao corpo legislativo, uma passagem de sete anos e cinco meses, que a mim me parece, fazendo como sempre faço, um juízo e uma apreciação, uma análise sobre cada dia da minha atuação, mas acima de tudo reservando a quem de direito, que é o eleitor, observador, sobre aquilo que os agentes políticos possam fazer, na apresentação dos projetos, em mandatos que ocupam, que é proveitosa a produção legislativa, com postura no Senado e nos ambientes para os quais o Senado nos delega participações. A presença política tem sido efetiva e acima de tudo resolutiva no que cabe a mim, como cabe a qualquer representante, fazer junto ao seu Estado, junto aos seus municípios. Na observação geral, penso que está sendo um mandato que dignifica a história do nosso Estado, com essa posição altiva que nós temos, com a responsabilidade de nos posicionarmos junto às discussões e às questão as mais candentes, como a defesa intransigente do nosso regime democrático, das nossas instituições democráticas, na capacidade que, graças a Deus, tivemos nós de poder oferecer propostas legislativas de alcance nacional, na condição de ter correspondido à altura das inúmeras demandas, as mais variadas em todos os setores, sob todas as circunstâncias da política municipalista junto ao próprio Estado. Então, eu me permito dizer que correspondo às expectativas que eu próprio tinha quando pedi, em 2018, o voto de confiança do eleitor. Exatamente por essas razões, por estar ciente da minha coerência, da minha firmeza na postura política, estou novamente a pleitear o voto do paraibano na recondução senatorial.
O senhor tem tido uma atuação conceitual reconhecida, do ponto de vista, inclusive, de temas de gravidade, de repercussão nacional, na abordagem de determinados fatos como aqueles do 8 de janeiro de 2023 em Brasília, mas além disso, do ponto de vista da atuação em favor da
Paraíba, da conquista de demandas para o Estado, o que o senhor destacaria sobre a intermediação de benefícios para o nosso povo?
Os números são muito relevantes e categóricos ou eloquentes. Nós conseguimos – e não estou a exagerar nem lançando números sem que os comprove – durante esta passagem, mais de dois bilhões e duzentos mil que nós intermediamos, fizemos com que pudéssemos estar presentes em todos os municípios da Paraíba. São valores decorrentes da prerrogativa parlamentar, através da indicação das emendas, sejam estas individuais, sejam emendas de bancada, sejam emendas de comissão, mas só esses valores que não são módicos, são bastante consideráveis, somam-se àqueles outros que foram conquistas que o nosso mandato alcançou através de interlocuções efetivas, eficientes, de articulação resolutiva junto ao governo federal. Tenho certeza que muito desse resultado se deve, também, à razão de termos mantido, junto a um governo com o qual eu interajo, na condição de ser seu apoiador e pelas relações não apenas políticas mas administrativas com o presidente Lula. Isto me ajudou sobremaneira, e aí cito exemplos de duas obras relevantes, que são a duplicação da BR-230, de Campina Grande até a Farinha, com 34,5 quilômetros – só para ela conquistamos mais de 270 milhões de reais, através da aprovação de emendas de comissão, mas essas emendas não seriam suficientes se a gente não tivesse, junto ao Ministério dos Transportes, junto com o governo do presidente Lula, essa condição de interagir e de defender o projeto, assim também a nossa ajuda na duplicação da BR-230, de Cabedelo até João Pessoa. Poderia citar ainda o volume que nós identificamos na área de Saúde. Agora mesmo estamos, no dia 29, levando para cerca de 105 municípios paraibanos, investimentos que foram alcançados objetivamente através de uma articulação junto ao ministro Alexandre Padilha, levando vans, micro-ônibus, ambulâncias, que são referências explícitas do trabalho que a gente desenvolveu. Acho que tudo isso faz parte do mandato. Eu não posso e nunca fiz senão questão absoluta de reconhecer que a nossa presença senatorial, no contexto das conquistas para os municípios e para o próprio Estado da Paraíba, também se deveu ao fato de eu fazer parte do governo, honrando-o com honestidade e defendendo-o.
Qual é a sua expectativa quanto a uma reeleição, em virtude dessa disputa pulverizada de pré-candidatos ao Senado nas próximas eleições?
Eu me sinto em condições de me reapresentar como candidato ao Senado apresentando e fundamentando esse nosso pleito, essa nossa postulação, pelo trabalho intenso, que o eleitor fará como maior julgador daquilo que nós traduzimos. Portanto, eu tenho segurança de que nós haveremos, ou poderemos, ter sucesso. Caso eu não tivesse a consciência plena do dever cumprido, pode ter certeza absoluta de que eu não me apresentaria como candidato. A condição natural em fazê-lo, ou seja, me apresentar como candidato, em qualquer município do Estado, quaisquer ambientes, se dá de cabeça erguida, sem correr riscos de que ouça qualquer paraibano, qualquer conterrâneo, dizer que eu não trabalhei, que eu fui indolente, que eu não produzi legislativamente, que eu não levei resultados concretos a todas as áreas e municípios. Esse risco eu não corro, porque eu tenho números, tenho dados, temos registros de produção legislativa que entram para a história com a nossa participação, nossa presença na tribuna do Senado Federal, nas comissões, com as nossas participações, nossas defesas, os projetos de iniciativa própria ou substitutivos relatados por nós, que foram extremamente importantes para o contexto nacional. Na minha expectativa, minha posição é muito boa. Evidente que vou para a eleição e toda eleição requer a atenção máxima, o envolvimento, o foco, a energia, a participação de colaboradores para que, no final, o resultado possa ser o desejado. Estaremos diante de uma disputa difícil, afinal, não desconheço que competidores dispõem de instrumentos, principalmente instrumentos materiais, conquistados em fontes não muito reveladoras, de forma ilegítima ou ilícita, com utilizações de instrumentos absolutamente nada republicanos. Nós assistimos isto dia a dia, constatamos todas as pressões, todos os abusos que essas outras candidaturas têm feito. Graças a Deus, esta semana mesmo, quando nos encontrávamos em Brasília para recepcionar prefeitos e prefeitas em mais uma edição da Marcha dos Gestores Públicos Municipais, recebi manifestações que nos fortalecem muito porque são testemunhos de dezenas e dezenas desses amigos e amigas a dizerem: “Veneziano, não adianta pressão, não adianta coação, não adiantam tentativas de cooptação materiais, porque conhecemos o seu trabalho, porque reconhecemos a sua atenção, porque reconhecemos os efetivos resultados que a sua atuação político-parlamentar gerou para os nossos municípios. Então, eu fico feliz, regozijado, lisonjeado, pelo reconhecimento da nossa atuação que cada um tem tido conosco, mesmo diante de um quadro onde se verificam participações de contendores que se utilizam, repito, muitas das vezes, dos instrumentos ilegais, ilícitos, das fontes materiais abominavelmente vinculadas a práticas horrendas. Mas estou muito confiante em que a gente possa conseguir a reeleição.
O senhor tem uma informação concreta sobre a postura do presidente Lula em relação a duas candidaturas ao Senado aqui na Paraíba?
Total. O presidente Lula nunca tergiversou, nunca, em nenhum momento, ele titubeou, em nenhum instante ele deixou de afirmar com carinho, com segurança, com reconhecimento, com confiança nas nossas relações pessoais e políticas, que deseja contar mais uma vez com a nossa presença no Senado, colaborando com um projeto que, a meu ver, foi um projeto que voltou a dar ao nosso país, ao povo brasileiro, novas condições de vida sob todos os aspectos. Costumo dizer, quando vou às tribunas, nas comissões, aos companheiros da oposição, que a todos respeito, que convido-os a fazermos comparações sobre o que deixamos de ter no governo sob a batuta do bolsonarismo e o que nós passamos a ter durante estes três anos e cinco meses sob a condução do presidente Lula. Não há nada, nada, que se pareça, em qualquer área, com o que nós entregamos para o povo brasileiro e com tudo aquilo que deixou de ser entregue aos cidadãos quando da passagem sob todos os aspectos prejudicial do bolsonarismo. Então, o presidente Lula tem a sua confiança, tem a sua torcida e já disse por diversas vezes, tanto ele quanto outros companheiros que falam pelo próprio governo, pelo próprio PT, como o presidente Edinho Silva, nossa companheira Gleisi Hoffmann, enfim, os outros que sabem da nossa honestidade política. Na condição de senador, nós somos aqui, em Brasília, o que somos na Paraíba. Nós defendemos o governo porque temos convicção de ser um governo bom e levamos a nossa mensagem, ao contrário de parlamentares que muitas vezes se locupletam ou se locupletaram do governo do presidente Lula, conseguiram e acessaram conquistas dos seus mandatos, mas não foram honestos quando chegam aos seus Estados e não mencionam a presença e a condição efetiva e definitiva do governo do presidente Lula. Eu, não. O que faço aqui, repito na Paraíba, que é exatamente pregar o que fez um governo que identifico como muito bom. Por isso, essa relação é confiável, transparente, honesta, segura, verdadeira, de apoio do presidente ao nosso nome.
O senhor tem algum constrangimento pelo também apoio virtual do presidente Lula à pré-candidatura do ex-governador João Azevêdo ao Senado?
Não, nenhum. É pleno direito de escolha do presidente Lula. Cada um de nós tem o seu perfil. 0 meu perfil todos conhecem, me caracterizo por ações de forma clara, convicta, na defesa do presidente Lula e as suas ações. Cada um tem o seu estilo de fazer essa defesa. Acho que em todas as vezes eu demonstro confiança, correção, assertividade. As posturas de defesa que faço do presidente Lula e do governo são explícitas, e todas as vezes que tenho a oportunidade de fazer o reconhecimento desse governo, eu faço. Mas são perfis distintos. O meu é desta forma, o do ex-governador é completamente diferente, mas ele tem todo o direito, porque a cada um de nós é dada a condição de agir, de pensar e de nos caracterizar da forma como somos.
Uma eventual fragmentação entre candidatos lulistas na Paraíba pode favorecer um candidato da direita, como o ex-ministro Marcelo Queiroga, que tem um perfil bolsonarista, aqui no Estado?
Não creio. A gente sempre tem que ter os cuidados devidos, porque nós constatamos, e isto é uma realidade, a eleição senatorial para uma vaga é diferente da eleição para duas vagas. Isto, todos os estudiosos e dados históricos permitem que tenhamos essa constatação. Muitas das vezes o segundo voto fica menos acessível, menos identificável, e aí é onde você tem que ter o cuidado devido. Mas eu penso que aquele eleitor mais vinculado, que concorda com o governo do presidente Lula, que concorda com as ações em defesa da democracia, que concorda que nós melhoramos efetivamente nestes últimos três anos, esse eleitor se identifica de uma maneira muito forte com a nossa posição. Mas as minhas posições ideologicamente progressistas não significam dizer que a minha candidatura não seja de centro e que tenha essa relação direta e histórica com o progressismo, com a centro-esquerda. Penso que isso me permitirá estar disputando essas eleições sem o receio de nenhuma fragmentação.
O senhor ficou surpreso com o pré-lançamento da candidatura de Nabor Wanderley ao Senado?
Não. Cada um, tendo condições de elegibilidade, pode ser candidato. Quantas não foram as vezes, quantos não seriam os exemplos que poderíamos dizer de nomes que surgem sem que nós nunca tenhamos ouvido. Então, não me surpreende. O que causa estranheza é a forma dela ser sugerida. Muito mais, a mim me parece, uma candidatura imposta por razões fundadas explicitamente por condições novas que surgiram, de fevereiro de 2025 para cá, e que são claramente vinculadas a condições materiais, a condições orçamentárias, do que a um histórico que fundamentasse a candidatura. Mas ela é legítima. O eleitor é que vai fazer a sua análise.
De que forma ela se apresentou? O que ela representou? O que está por trás daquela candidatura? Quem está que está dando essa sustentação? Essa candidatura existiria sem que essas condições materiais existissem? Isto vai ser discutido durante o processo. Cada um vai ter que se apresentar com a segurança da resposta a ser dada aos questionamentos da população eleitoral paraibana.
Até que ponto a pré-candidatura do ex-prefeito André Gadelha, de Sousa, fortalece a chapa do MDB ao Senado e o que motivou a escolha dele para essa chapa?
Muito sinceramente, isto é público. Quando estávamos formando o grupo da oposição, fatos com os quais não trabalhávamos aconteceram. Por exemplo: Cícero Lucena (pré-candidato a governador) antes de ser expulso do grupo para o qual, anteriormente, ele serviu politica e administrativamente, que foi o grupo do ex-governador (João Azevêdo) e do atual governador (Lucas Ribeiro), ele não era visto por nós como uma opção como candidato. No momento em que foi expulso, convidado a sair, ele vem para a oposição, passados alguns dias ele se convence de filiar-se ao MDB, pelo convite feito por mim, pela nacional do MDB, passa a ser uma alternativa, passa a ser a candidatura quando Pedro (Pedro Cunha Lima, PSD) entende ser o nome de Cícero o melhor a essa disputa de 2026. Com a chapa composta com ele e comigo, passamos a formatar o restante, e ninguém ignora que havia, como alternativa, como nome lembrado, ao Senado, o do reverendo Fabrício Timóteo. Fizemos o convite ao padre Fabrício, e no mês de fevereiro ele disse que recusaria, agradecendo a lembrança mas que iria se dedicar ao seu sacerdócio. E aí, durante esse interregno de dois, três meses, vimos a necessidade, porque não poderíamos ter uma chapa incompleta, de conversarmos, e fizemos o convite a André Gadelha, que entendeu ser um desafio. Eu acredito que foi algo muito feliz quando o nome de André surgiu na nossa lembrança, porque André traz o equilíbrio que toda chapa desejaria e deseja ter, que é a presença de um homem forte, experimentado, vigoroso, corajoso, com a experiência de ter sido prefeito, deputado estadual, de ser de uma região densa populacionalmente, portanto, eleitoralmente, que precisa estar sempre nas discussões de caráter político-eleitoral. Somado André a uma região importantíssima como é a de Campina Grande, e à da nossa região metropolitana, como é a presença da Capital, a presença de Santa Rita, de Bayeux, de Cabedelo e outros municípios da região da Mata, que também é representada pelo ex-prefeito Cícero Lucena. Acho que é uma chapa altamente equilibrada e que permitirá que todos ajudem a um projeto para tornar exatamente a chapa competitiva e vitoriosa. Estou muito feliz, e mais do que feliz, tenho a alegria e a convicção do momento que está vivendo o meu companheiro de chapa André Gadelha.
Qual o seu prognóstico sobre a disputa para o governo? Acredita que será uma disputa acirrada e que praticamente está cristalizado o segundo turno?
Sim, as duas perguntas têm a mesma resposta. Vai ser uma disputa acirrada e teremos segundo turno. Provavelmente só um fato fora do comum, com uma imprevisibilidade completa, total, quase que inimaginável, é que pode fazer com que não tenhamos segundo turno com três candidaturas como as que se apresentam. E tenho confiança plena que a candidatura que nós defendemos ao governo do Estado, do ex-prefeito Cícero Lucena, é uma candidatura viabilíssima, competitiva como os números mostram. Mas, muito mais do que a demonstração dos números que nós vimos, é a certeza de que teremos na condução dos destinos do Estado uma pessoa que tem altíssima experiência administrativa. Eu sempre digo isso: Cícero é bafejado, venturosamente abençoado porque teve como homem público a condição que outros não tiveram, que é a de ter sido prefeito quatro vezes da Capital do Estado. Isso não acontece por acaso. Uma pessoa que consegue administrar a Capital do seu Estado por quatro vezes tem, sem sombra de dúvidas, predicados, condições reconhecidas pela população por ter dado respostas a ela. Isto significa que Cícero saberá fazer administrativamente, para todo o Estado, aquilo que pôde fazer tão bem para a Capital, João Pessoa. Então, essa vivência de homem público, como Cícero demonstra, a capacidade de trabalho dele, faz dele um candidato fortíssimo. Agora, estamos lutando contra a máquina, lutando essencialmente contra estruturas, lutando visivelmente e ilegalmente contra abusos, como foi o caso mais recente da entrega e alienação da Cagepa, um absurdo cometido contra os interesses do nosso Estado, nas caladas da noite, ou seja, com as nebulosas negociatas feitas pelo governo anterior e pelo atual governo. Esses abusos se fazem presentes no processo de disputa eleitoral e terminam suscitando variações de cores eleitorais. Sabedores disso, não há como desconhecer que vai ser uma disputa acirrada, renhida.
Sobre a disputa presidencial, o senhor acha que o presidente Lula tem amplas chances de se consolidar na reeleição?
Tem amplas chances de ser vitorioso. Não temos como desconhecer uma constatação óbvia, mas a gente sabe que, diante daquilo que o quadro político nacional apresenta desde 2022, e até antes de 2022, sabemos que é uma disputa que vai ser muito polarizada. Os episódios que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL), que para mim nada são surpreendentes, têm impacto, e outros escândalos poderão advir. Mesmo assim, é fato que está cristalizado o sentimento de uma parcela da população brasileira de acompanhar uma candidatura da direita ou da extrema-direita. O presidente Lula, pelo seu trabalho, pelas suas entregas, tem todas as chances de ao final do processo eleitoral tornar-se vitorioso. Eu creio, mas isto não nos permite desconhecer que será uma disputa dura, acirrada, e que a gente vai precisar ter todas as atenções.
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