Suspeito de matar Mariana Thomaz fazia publicações consideradas machistas; ministra foi alvo

Johannes Dudeck é suspeito de cometer o crime contra a estudante Mariana Thomaz de Oliveira / Foto: reprodução

O suspeito de matar a estudante de medicina Mariana Thomaz de Oliveira, em João Pessoa, na Paraíba, já tinha um histórico de violência contra mulheres. De acordo com a Polícia Civil do Estado, ele já havia sido enquadrado na Lei Maria da Penha por três vezes, vindo a ser preso.

Em entrevista ao programa Arapuan Verdade, da Rádio Arapuan FM, nesta segunda-feira (14), o delegado Joames Oliveira, que participa das investigações, disse que Johannes Dudeck “saiu do sistema penitenciário há aproximadamente dois meses, referente a um dos casos de violência doméstica”.

Johannes tem 34 anos e é o principal suspeito de ter matado Mariana Thomaz, de 25, em um apartamento, no bairro de Cabo Branco, em João Pessoa, no último sábado (11), supostamente por asfixia. Ele foi preso no mesmo dia, após ser ouvido na Central de Polícia.

Além do histórico policial de violência contra a mulher, o empresário fazia publicações nas redes sociais consideradas machistas. A assistente de acusação, Dayane Carvalho, que representa a família da vítima, compartilhou com o blog Agenda Política prints em que o empresário utiliza palavras chulas para se referir às mulheres.

Em uma publicação, no ano de 2019, o empresário utilizou palavras de baixo calão para se referir às partes íntimas das mulheres e foi repreendido por uma seguidora. “Meu P## é rosa, b###### são rosas e eu visto rosa”, escreveu. “Que danado é isso?”, questionou a seguidora, no Facebook.

Um dos alvos do suspeito foi a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves. Em 24 de janeiro deste ano, ao compartilhar uma reportagem sobre a campanha promovida pelo Governo Federal contra a gravidez precoce, ele escreveu: “Já que ninguém quis ##### a ministra, ela quer todo mundo morrendo na mão”.

Johannes também fez publicações criticando a campanha do setembro amarelo e as pessoas que sofrem com depressão.

Confira, a seguir, publicações de Johannes Dudeck enviadas ao blog pela assistente de acusação, Dayane Carvalho

Audiência de custódia

(Texto atualizado às 23h17 com a informação de que o resultado do laudo cadavérico foi divulgado pela Polícia Civil)

Em audiência de custódia realizada ontem (14), a Justiça determinou que Johannes fosse transferido para o Presídio Especial do Valentina e que continuará preso preventivamente.

O laudo cadavérico da estudante de medicina Mariana Thomaz, morta com suspeita de feminicídio, apresenta indícios de relação sexual. Antes, o atestado de óbito da estudante apontou que ela foi morta por asfixia mecânica ocasionada por esganadura.

Mariana Thomaz era natural do Ceará e estava na Paraíba para cursar a graduação de medicina. O corpo dela foi encontrado após a polícia receber uma ligação do suspeito informando que Mariana estava tendo convulsões. No local, a perícia observou os sinais de esganadura, motivo que levou o suspeito para a prisão.

Vítima era prima de Eunício Oliveira

Mariana era prima de segundo grau do ex-presidente do Senado, Eunício Oliveira, que utilizou as redes sociais para lamentar o episódio e cobrar Justiça. “O machismo abjeto e inaceitável que persiste em nossa sociedade precisa acabar. O feminicídio precisa ser combatido por todos nós, como tenho reiterado inúmeras vezes. O machismo mata e enluta famílias”, escreveu.

Confira a publicação a seguir

Outro lado

Procurada pela reportagem, a defesa de Johannes informou que, em respeito ao luto enfrentado pela família de Mariana Thomaz, não irá se pronunciar no momento. Acrescentou, porém, que sobre publicações de Johannes realizadas nas redes sociais, dizem respeito a falas impensadas do jovem.

Agenda Política

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