
Com 20 anos de militância e quase duas décadas de atuação como advogado popular, o campinense Olímpio Rocha concorre ao governo do Estado pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e admite que, financeiramente, enfrentará uma concorrência desigual com pré-candidatos de estrutura maior e partidos mais fortes, como o governador Lucas Ribeiro, do PP, o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, do MDB, e o senador Efraim Filho, do PL.
Mas revelou, em entrevista ao “Polêmica Paraíba”, que lutará para quebrar a força de candidatos de oligarquias tradicionais. “Enfrentarei sem medo essas oligarquias porque temos o povo da Paraíba e vamos defender o legado do presidente Lula rumo ao tetra, porque nem Lucas fará isso, nem Cícero fará e muito menos Efraim, que representa o bolsonarismo”, expressou ele.
Ele se coloca, com legitimidade, como um candidato diferente e renovador, detonando:
“Cícero, Lucas e Efraim são farinha do mesmo saco. Eu acho que eles têm, ao fim e ao cabo, um acordo de compadres, pois sempre fizeram parte do mesmo grupo político, do mesmo projeto de poder”.
Olímpio reconhece que sua campanha será “franciscana”, diante do que chama de injustiça do financiamento de campanha eleitoral, que prejudica os partidos menores. Vai rodar o Estado no seu carro e promete que, nos debates em meios de comunicação, os adversários irão ouvir verdades que precisam ser ditas e que eles não querem abordar.
Olímpio vai se utilizar, também, das redes sociais que, segundo ele, estão crescendo de forma orgânica, “sem comprar o povo, sem condicionar nada, de modo que temos dado o recado necessário”.
Segundo garantiu, já há pesquisas indicando que a candidatura do PSOL, ou seja, o seu nome, é o que mais divide opiniões na imprensa,
“de modo que estamos incomodando, estamos dando o nosso recado. E essa vai ser nossa estratégia: conversar com todo mundo e dizer que só tem Olímpio como candidato de esquerda”.
O partido lançará pré-candidaturas, também, à Câmara Federal e Assembleia Legislativa, mas não terá nome ao Senado, devendo apoiar os pré-candidatos que têm o aval do presidente Lula, como o ex-governador João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
Para o pré-candidato do PSOL ao governo, o maior problema enfrentado na Paraíba é o da exclusão social de famílias que, marginalizadas, recorrem ao Bolsa Família para sobreviver.
“O governo da Paraíba tem falhado nesse aspecto da inclusão, porque é atribuição dele dar educação para que a partir daí as pessoas possam ter oportunidades de trabalho e sobrevivência, com melhores condições de saúde e moradia”.
Queixou-se que a Paraíba paga o pior salário do país a servidores públicos e referiu-se a deficiências em áreas essenciais como a Segurança Pública. Olímpio frisa que sua candidatura nasceu da necessidade de oferecer uma alternativa do campo popular ao eleitorado paraibano e disse que, apesar das dificuldades e do rolo compressor, está otimista com o desempenho que possa vir a ter.
Ele já concorreu, sem êxito, à prefeitura de Campina Grande e a um mandato de deputado estadual, mas disse que não foge dos desafios e que vai se dedicar de corpo e alma à candidatura ao governo, oxigenando o debate em torno dos reais problemas de interesse do Estado.
A ENTREVISTA
Como candidato ao governo o senhor vai enfrentar um moedor de carne, disputando contra adversários com estrutura forte. Acha que terá pela frente uma concorrência desigual?
Do ponto de vista financeiro, infelizmente, sim. Eu fui candidato a prefeito de Campina Grande em 2020 e tivemos em torno de 60 mil reais para gastar, enquanto os adversários tiveram, no mínimo, cada um, um milhão de reais. Isso mostra que é necessária urgentemente uma reforma eleitoral neste país, de modo que as candidaturas ditas menores possam mais ter condições de disputar, possam ter paridade de armas para mostrar suas propostas, dizer o que acham melhor para o Estado da Paraíba, para as respectivas cidades de onde vêm, para o Brasil, de modo que é urgente que se faça essa reforma.
Enfrentarei, sim, estruturas oligárquicas, mas sem medo nenhum porque temos o povo da Paraíba, temos a necessidade de defender o legado do presidente Lula rumo ao tetra, porque nem Lucas fará isso, nem Cícero fará isso e muito menos Efraim, que representa o que há de pior na política paraibana que é o bolsonarismo.
Apesar de termos essa desvantagem financeira, no debate eles vão ouvir as verdades que precisam ser ditas sobre cada um…
Qual será, então, sua estratégia para amplificar sua mensagem e tenta atrair eleitores na campanha?
A nossa campanha será, certamente, franciscana, diante da injustiça do financiamento de campanha.
Não sei exatamente quanto vou receber, mas a ideia é rodar o Estado todo. Vamos pegar nosso carrinho 1.0 e de Cabedelo a Cachoeira dos índios, até o Conde, estaremos rodando pelas cidades, conversando com as pessoas, fazendo as denúncias que precisam ser feitas nas nossas redes sociais (e as nossas redes estão crescendo de forma orgânica, sem comprar o povo, sem condicionar nada, de modo que temos dado o recado necessário.
Já há pesquisas dando conta de que a candidatura do PSOL, o nome de Olímpio Rocha é o que mais divide opiniões na imprensa, de modo que estamos incomodando, estamos dando o nosso recado. E essa vai ser a nossa estratégia: conversar com todo mundo e dizer que só tem Olímpio de esquerda.
Qual sua opinião sobre as emendas parlamentares, muito criticadas por candidatos que querem ter acesso ao Congresso Nacional?
É absolutamente importante que haja um critério muito mais firme, muito mais forte, para regulamentar essas emendas. Eu acho que é válido que o parlamentar tenha acesso a emendas, agora sem tenta força, no sentido de praticamente mandar no Orçamento da União.
Não é possível. Quem é eleito para governar é o Poder Executivo, não é o parlamentar. O parlamentar legisla, fiscaliza, faz obviamente as cobranças públicas necessárias, pode ter acesso, eventualmente, a algum tipo de emenda, mas não da forma que está atualmente hoje. Isso faz com que seja praticamente impossível você mudar a realidade do Congresso Nacional.
Então, eu sou contra as emendas na metodologia em que elas hoje funcionam.
Qual é a pretensão do PSOL em relação a candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal?
Esta é uma grande prioridade nossa. Nós temos quatro nomes que são postos à Câmara Federal. Tatiana Valério, do portal Paraíba Feminina, que é uma grande militante dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, certamente será uma das nossas primeiras parlamentares do PSOL, companheiro Edinho Mendes, ex-presidente da Câmara Municipal de Juarez Távora, no Brejo, que tem uma política de contato com as demandas mais populares, Souza Neto, jornalista de Itaporanga, que também se destaca bastante na mídia sertaneja e a companheira Andréia Miranda, também dos direitos das mulheres, da luta feminista, da luta antirracista, que capitaneia a luta contra a corrupção em Cabedelo.
São nomes que farão parte da primeira bancada do PSOL da Paraíba.
E para o Senado, qual é a posição do PSOL?
Nós definimos que não teremos candidato ao Senado, em razão de que a direita quer ocupar o Senado, a direita quer eleger seus nomes extremistas para dar o golpe no Judiciário através de seus representantes naquela Casa.
Então, entendemos que ter uma candidatura ao Senado, a esta altura, seria contraproducente, e poderemos tentar ajudar a eleger algum nome da Paraíba que combata o bolsonarismo, a extrema-direita.
O PSOL apoiará os candidatos a senador apoiados por Lula, obviamente que com posição crítica em relação a João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo, mas caminhamos para apoiar esses nomes que apoiam o presidente Lula aqui no Estado.
Qual o problema mais urgente da Paraíba que o senhor detecta e que precisa ser encarado por qualquer administrador público?
Nós temos, segundo dados do governo federal, por exemplo, mais de 600 famílias diretamente ou indiretamente vinculadas ao programa Bolsa Família. Se você multiplicar esse número por três, quatro, dá uma quantidade enorme de pessoas que carecem de políticas públicas, de programas de transferência de renda.
Não se trata de uma crítica ao Bolsa Família, se trata de reconhecer que o programa é essencial para inclusão social das pessoas e para permitir que elas possam fazer suas refeições condignamente. O governo da Paraíba tem falhado nesse aspecto da inclusão social, porque é atribuição dele dar educação para que a partir daí as pessoas consigam oportunidades de trabalho e sobrevivência, dar mais saúde, mais moradia, para que se reduza essa dependência do Bolsa Família.
Então, o governo atual, desde João Azevêdo, insistiu em que tinha bilhões em caixa, mas eu pergunto: para que serve esse dinheiro se ele não é investido na reforma agrária, na agricultura familiar, para que as pessoas não saiam dos seus rincões em busca de condições condignas de sobrevivência e precisem morar nas periferias de grandes cidades?
Então, o que nós do PSOL identificamos é essa falta de priorização das pessoas por parte de 2027, quando chegarmos ao poder e começarmos a colocar o povo no centro das decisões, a fim de que tenham mais distribuição de renda e que as pessoas consigam sair do círculo a que estão relegadas.
Além disso, segundo dados do Caged, a Paraíba paga o pior salário do país, e quando se coloca mulheres negras, a desigualdade é altamente gritante no recorte social. Por isso, insisto em que precisamos investir em políticas públicas de inclusão social, em geração de emprego e renda, em incentivar as empresas para que possam pagar salários condignos.
Precisamos, também, combater o feminicídio, os índices alarmantes de feminicídio que atingem o nosso Estado.
Como o senhor avalia os empreendimentos turísticos que o governo anunciou ter atraído para a Paraíba junto a investidores internacionais?
Claro que é importante que a gente tenha um trade turístico forte, mas é preciso sempre lembrar dos pequenos. Como fica a pequena rede hoteleira? Vão ser engolidos por esses grandes investimentos: Haverá isenção fiscal para esses grandes empreendimentos? É preciso transparência nesse aspecto, de modo que a gente possa investir no que se chama de Turismo Sustentável.
Não adianta você vender a Paraíba só para europeu vir aqui passar fim de semana em Tambaba, espécie de território colonizado pós-moderno, enquanto paraibanos de regiões longínquas do interior não conseguem vir conhecer as belezas naturais de João Pessoa, as nossas praias, os atrativos de Campina Grande, com o maior São João do Mundo, o Vale dos Dinossauros de Sousa, o Pico do Jabre. Então, a gente precisa incentivar o Turismo Sustentável, para que os paraibanos, sobretudo os mais pobres, conheçam as nossas riquezas.
Nós precisaremos melhorar as estradas, estudar o tema da tarifa zero no transporte intermunicipal de modo a incentivar a economia e facilitar a mobilidade das pessoas pelo Estado.
A partir de tudo isso, fazer com que a economia do Estado gire e seja cada vez mais forte, não apenas incentivar esses trades turísticos que querem colocar a Paraíba como um território pós-moderno colonizado. Turistas serão sempre bem-vindos, mas precisamos focar primeiro nos nossos, depois nos de fora.
O senhor admite que o governo federal faltou com a Paraíba em relação a investimentos em obras estruturantes?
Não. Eu entendo que o governo Lula é, por exemplo, o grande responsável pela transposição das águas do rio São Francisco, tem capitaneado o fim da escala 6×1, proposta que foi originada da deputada Erika Hilton, do PSOL, e a partir disso teremos condições de crescer economicamente, dando dignidade ao trabalhador para que possa ter mais tempo para conviver com sua família, experimentar o lazer no fim de semana.
E o governo federal tem, sim, investido em programas de moradia, como o Minha Casa, Minha Vida, em Campina Grande o complexo Aluízio Campos, que foi uma obra do governo Dilma Rousseff, apeada do poder pelo golpe de Michel Temer e de setores do Centrão, da direita, e é importante que a gente continue pressionando o governo para que traga outras obras, melhores, inclusive.
O presidente Lula tem feito a sua parte e fará ainda mais quando nós estivermos no governo do Estado.
O senhor acha que tem faltado empenho da bancada federal paraibana para agilizar obras junto ao governo federal, como as da BR-230, de Cabedelo a João Pessoa e também em Campina Grande?
Não estamos aqui para tapar o sol com a peneira. Se há críticas que precisam ser feitas, elas serão feitas. E eu penso que sim, a nossa bancada federal infelizmente não se renova há algumas legislaturas. São as mesmas figuras que trocam os cargos com seus filhos, seus sobrinhos, suas esposas.
Há uma exceção ou outra que, aqui e acolá, não entra nessa lógica das famílias oligárquicas, mas entre 12 deputados federais nós temos apenas, eu diria, o deputado Luiz Couto, que não se enquadra nessa lógica clientelística e oligarca, de modo que é preciso que nós elejamos novos deputados.
Teremos opções plenamente viáveis para que o povo vote nessas pessoas e renove a nossa bancada federal. A expectativa é que a bancada saia dessa lógica das emendas e trate realmente do que precisa ser feito, que é legislar, fiscalizar, representar, de fato, o sentimento do povo paraibano.
O pré-candidato Cícero Lucena tem dito que, se for eleito, vai revogar o contrato firmado pelo governo de João Azevêdo com uma empresa espanhola para a exploração dos serviços de esgotamento sanitário em inúmeros municípios. O que o senhor acha dessa tese do pré-candidato Cícero Lucena?
Pois é, Cícero Lucena copia a nossa fala. Desde o início de abril, eu disse isso, que a privatização da Cagepa e da água na Paraíba é inconstitucional, pois os serviços de água e esgoto só podem ser prestados por empresa pública estadual, constituída para esse fim, e na Paraíba a empresa constituída para esse fim é a Cagepa.
Não podemos privatizar a Cagepa ainda que de forma maquiada, sob os auspícios de uma empresa estrangeira. Isto é absolutamente teratológico, indigno com o povo paraibano. Eu disse, desde que essa privatização ao estilo de parceria que foi firmada eu fiz a crítica e disse que a Cagepa será reestatizada no nosso governo a partir de 2027, e Cícero Lucena copiou a nossa ideia. Quem quiser copiar, que copie.
Agora, nem Cícero nem Lucas Ribeiro podem achar que os paraibanos são otários, que o povo paraibano é besta. Cícero entregou a administração de João Pessoa à construção civil, tentou acabar com o gabarito da orla marítima, foi até o STF para permitir a construção de espigões na orla de João Pessoa, abrindo as leis de uso do solo para favorecer os seus parceiros da construção civil, porque ele é o candidato eterno do Sinduscon.
O candidato Efraim Filho, por sua vez, promete que, se for eleito, a primeira providência que tomará será baixar decreto para reduzir impostos na Paraíba. O senhor acha viável essa proposta?
Efraim tem falas absolutamente demagógicas. Ele representa, na verdade, o bolsonarismo, que é o que de pior há na política brasileira. Ele representa o bolsonarismo responsável pela morte de mais de dez mil paraibanos durante a pandemia de covid-19, o bolsonarismo que não trouxe absolutamente nada para o Estado.
Eu desafio Efraim a dizer algum tipo de obra que o bolsonarismo tenha trazido aqui para a Paraíba. Ele apoia Flávio Bolsonaro (PL), que inclusive correu da Paraíba depois que nós do PSOL judicializamos a carreata ilegal que ele queria realizar em Campina Grande, sabendo que seria sancionado pela Justiça Eleitoral.
Depois de nossa ação, ele bateu pino, mentiu para o povo paraibano, dizendo que iria para os Estados Unidos, ficou no Rio de Janeiro e não veio para a Paraíba, como tinha prometido para seus asseclas, entre eles Efraim. E sobre os impostos, obviamente precisamos ter uma política de redução, sim, precisamos acabar com essas grandes isenções fiscais que beneficiam grandes empresas ao invés de se investir no pequeno produtor, no pequeno empreendedor, para que abra seu mercado lá no interior do Estado, em Pombal, em Teixeira, em Santana dos Garrotes.
É preciso, sim, que a gente refaça uma política tributária, de modo a taxar mais quem pode pagar mais e taxar menos quem pode pagar menos.
Como o senhor analisa o desempenho da Segurança Pública no governo de João e agora no governo de Lucas?
Infelizmente a Segurança, no governo de João e no governo de Lucas, é digna de repúdio. Nós temos escândalos quase que semanais sendo ventilados na imprensa nacional, o que denota que a Segurança Pública tem falhado.
O que nós precisamos é de uma política de inteligência, de valorização dos profissionais da Segurança, dos policiais civis, dos policiais científicos, dos delegados, das delegadas, policiais penais, de todo o corpo de segurança pública da Paraíba.
Não só os oficiais, os praças também precisam ser valorizados, com Planos de Cargos, Carreira e Remuneração absolutamente respeitados, que façam com que eles acordem de manhã e saiam de casa motivados para proteger o povo paraibano, com um salário condigno, pois, sem motivação, obviamente não vai ter a vontade de trabalhar pela segurança do povo.
Então, precisamos de uma investigação séria, que saiba quem são os grandes por trás do tráfico de drogas e das facções, inclusive, identificar políticos que tenham relação com esses grandes traficantes, e lançar mão dos instrumentos legais para que todos sejam presos dentro do devido processo legal, com contraditório e ampla defesa.
Em relação à Educação, quais são as suas metas primordiais?
Primeiro, quero lamentar a mentira do governador Lucas, que prometeu chamar todos os aprovados no último concurso da Educação e fatiou essa chamada, mantendo, portanto, contratos precários de pessoas que também são dignas mas que estão ocupando os cargos de concursados, e os nomeados ficam sob cabresto do governo.
Então, é preciso nomear todos e todas dentro das vagas existentes e, também, das vagas remanescentes que estão sendo ocupadas por contratados temporários. Nós, inclusive, ganhamos ação judicial semelhante em João Pessoa contra o ex-prefeito Cícero Lucena. A Justiça determinou que o município está proibido de contratar novos temporários e precisa nomear os que foram aprovados, no caso, no concurso de João Pessoa.
E é isto que nós estamos estudando fazer, também, em relação ao governo do Estado, nomear as pessoas para que elas trabalhem, dêem aulas. Tem muita denúncia de gente formada em ensino religioso que está dando aula de geografia, muita gente formada em Matemática que está dando aula de Português. Isso é um absurdo, é inaceitável, sem falar que o governo João Azevêdo loteou a Educação, deu a Educação de porteira fechada para o Republicanos.
Isto não se faz. Como é que se dá uma Pasta estratégica do governo, que em tese era de centro-esquerda, a um partido do Centrão? Vai simplesmente lançar mão da estrutura da secretaria para agradar aos seus caciques e tentar continuar colocando o povo sob seu cabresto.
Sem escolas militares, que são uma forma de fazer crescer esse sentimento de autoritarismo em nosso Estado. Isso não pode ser aceito. Vamos chamar todos os aprovados, combater as escolas militares e valorizar os verdadeiros profissionais do ensino.
Quanto à Saúde, quais são suas prioridades?
A Saúde também é um grande gargalo no nosso Estado, e nós precisamos descentralizar cada vez mais a Saúde, precisamos fazer com que as pessoas que moram nas cidades longe dos grandes centros urbanos tenham condições de serem atendidas por médicos nas suas próprias localidades.
Não é aceitável que uma pessoa tenha que sair de Zabelê para Campina Grande par poder ser atendida. Elas precisam ser atendidas nas próprias cidades, o que passa por uma política de incentivo à média complexidade, que é responsabilidade do governo do Estado em parceria com os municípios.
É preciso, também, que o governo forneça medicação às pessoas. Está na Constituição, não é uma elucubração minha. Não é aceitável que as pessoas procurem ir cada vez mais à Justiça em busca desses medicamentos. Vamos descentralizar a Saúde e tirar do papel essa grande promessa do Hospital do Sertão, sobre o qual João Azevêdo e Lucas tanto falaram. Cadê? É um governo da propaganda, e isso não pode ser mais aceito.
Qual a sua expectativa sobre o nível da campanha este ano? Acha que é possível manter um alto nível com uma situação tão radicalizada?
Eu acho que Cícero, Lucas e Efraim, ao fim e ao cabo, têm um acordo de compadres. Eles, entre eles, sempre fizeram parte do mesmo grupo político. Até pouco tempo, Cícero estava no mesmo partido de Lucas, e Efraim também fazia parte desse mesmo grupo político. Me parece que eles não querem que o sujo fale do mal lavado, e devem ter algum tipo de acordo nesse sentido.
Da minha parte, Olímpio Rocha, não.
Sempre agirei como foi com minha atuação na Educação. Não tenho medo de pôr o dedo na ferida, de dizer que Cícero, Lucas e Efraim são farinha do mesmo saco, faziam parte do mesmo projeto de poder. Lucas é uma pessoa de bom trato, mas só está onde está porque é do Grupo da Várzea, porque é filho de senadora, sobrinho de deputado federal.
Não fosse assim, não teria sido vice-prefeito de Campina nem vice-governador do Estado. Não tem serviço prestado, diferente de mim que tenho quase 20 anos de advocacia popular junto a movimentos sociais, que lutam pela terra, beneficiando mais de cinco mil famílias pela minha atuação direta no Supremo Tribunal Federal contra despejos, derrubando leis homofóbicas em Campina Grande, ganhando na Justiça ação por fake news sobre Bolsonaro.
Eu sou o único paraibano que derrotou Bolsonaro, e isto precisa ser lembrado à esquerda paraibana. Efraim também, só está onde está porque é filho de ex-senador. Lucas e Efraim, até onde me consta, são advogados e eu duvido que tenham assinado uma petição nos últimos anos, ou que tenham alguma cartela de clientes como advogados nos últimos anos.
Cícero, não sei nem qual é a profissão dele, mas sempre foi o eterno candidato do Sinduscon, da construção civil, que entregou as leis de uso e ocupação do solo de João Pessoa para as elites econômicas do Estado, que tem acusações de ter envolvimento com facções. São processos, investigações, inquéritos.
Não sou eu, Olímpio Rocha, que estou acusando, apenas expondo um fato. Então, da minha parte, não haverá medo de dizer o que tem que ser dito contra essas figuras que representam as mesmas lógicas de poder, e, além disso, fazer as propostas necessárias, como temos feito.
Precisamos ter um governo com paridade de gêneros nas secretarias, que tenha orçamento para inclusão social dessas minorias, não se fique só na foto, porque a foto não resolve problema nenhum. O que resolve é política pública, dinheiro, investimento e efetivação desses investimentos.
Fonte: Nonato Guedes
Créditos: Polêmica Paraíba
O post Olímpio detona: “Lucas, Cícero e Efraim são farinha do mesmo saco” – Por Nonato Guedes apareceu primeiro em Polêmica Paraíba.

