
A divulgação da equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026 pela FIFA trouxe a tona um cenário que ainda reflete a desigualdade de gênero no futebol: dos 170 oficiais de arbitragem convocados para o torneio, apenas seis são mulheres, o equivalente a 3,5% do total.
Embora a presença feminina tenha deixado de ser inédita desde a Copa do Catar, em 2022, o número permaneceu exatamente o mesmo. Na ocasião, seis mulheres integraram, pela primeira vez na história do Mundial masculino, a equipe de arbitragem. Quatro anos depois, o percentual segue praticamente inalterado, demonstrando que a representatividade feminina ainda avança em ritmo lento.
Segundo dados da FIFA, 1.113 mulheres integram atualmente os quadros internacionais da entidade. No entanto, somente seis foram escolhidas para atuar na principal competição do futebol mundial, enquanto 164 homens compõem o restante da equipe.
Entre as árbitras convocadas estão as centrais Tori Penso, dos Estados Unidos, e Katia Itzel García, do México. Também foram selecionadas as assistentes Brooke Mayo e Kathryn Nesbitt, ambas norte-americanas, Sandra Ramírez, do México, e a árbitra de vídeo (VAR) Tatiana Guzman, da Nicarágua.
Curiosamente, o Canadá, um dos três países-sede da Copa ao lado dos Estados Unidos e do México, não contará com nenhuma representante feminina na arbitragem.
Brasil tem maior delegação, mas só com homens
O Brasil é o país com o maior número de profissionais convocados pela FIFA para integrar a equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2026. Apesar do destaque, a delegação brasileira é formada exclusivamente por homens, sem nenhuma árbitra ou assistente entre os representantes nacionais.
Desigualdade também é realidade no futebol brasileiro
A baixa participação feminina na Copa reflete um cenário observado também no futebol nacional. Dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apontam que as mulheres representam menos de 20% do quadro de arbitragem do país, sendo a maior parte delas escalada para atuar como assistentes, e não como árbitras centrais.
Apesar do crescimento da presença feminina no futebol, seja nas arquibancadas, dentro de campo ou na arbitragem, a ocupação dos espaços de maior visibilidade ainda é limitada. A manutenção do mesmo número de mulheres convocadas em relação ao Mundial de 2022 reforça que, embora o pioneirismo tenha sido alcançado, a igualdade de oportunidades ainda está distante de se tornar realidade.
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