Nem todos no mesmo barco: os desafios de Aguinaldo para levar os tripulantes do PP ao cais de João

“O Progressistas defende algo que parece óbvio: na política, a gente tem que ter lado. Ou se é governo ou oposição, não tem meio termo, e não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo”. Com esse discurso, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) decidiu, na última quarta-feira (15), oficializar uma aliança com o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB) para as eleições de outubro.

A decisão foi uma surpresa até para alguns aliados do parlamentar, não pela aliança com o governador, mas pelo recuo na intenção de disputar o Senado, o que aconteceu, segundo o deputado, porque faltou unidade na chapa para a consolidação desse projeto. Agora, caberá a Aguinaldo indicar o candidato a vice na chapa do governador do estado.

Desde então, o timoneiro do Progressistas tem defendido a unidade dentro do seu próprio partido e entre todos os que compõem a base governista. Todos são orientados a remar no mesmo sentido: em torno da reeleição do atual governador. “Reino dividido não prospera”, disse Aguinaldo em mais de uma ocasião, prometendo dialogar “para superar as divergências que possam existir” e “avançar mais e mais”.

A tarefa, no entanto, não será fácil, apesar dos avanços que já ocorreram. Internamente, o próprio Progressistas segue dividido, em barcos diferentes, quando o assunto é o apoio à reeleição de João Azevêdo.

Dra Paula, Zé Aldemir e Lindolfo Pires defendem unidade

A primeira a pular no barco da ‘unidade’ foi a deputada federal Dra. Paula, em entrevista à Rádio Arapuan FM. Mesmo antes da decisão de Aguinaldo em fechar com João, a parlamentar federal deixou o remo da oposição na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) e declarou apoio ao atual governador.

Ao justificar a migração para a base governista, a parlamentar classificou a administração de Azevêdo como “muito boa” e citou a atuação do Governo do Estado na pasta da saúde. “Ele tem feito um grande trabalho à frente do Governo da Paraíba”, disse.

A decisão deve selar, também, o apoio do prefeito de Cajazeiras e esposo de Paula, José Aldemir, ao projeto de reeleição do governador.  No mesmo sentido, quem pregou os ventos da unidade entre os tripulantes foi o deputado Lindo Pires: ‘nada que o diálogo não resolva’, disse.

Galego Souza quer dialogar para encontrar uma ‘solução’

E por falar em diálogo, no início da semana, em entrevista ao autor do blog, o deputado estadual Galego Souza adiantou que não tem definição ainda quanto ao Governo do Estado, apesar de não ver dificuldades para um eventual apoio à reeleição do governador João Azevedo.

O parlamentar explicou, contudo, que precisa de uma conversa com o governador para encontrar a melhor rota nesse mar agitado de 2022. “Ainda não está definido o apoio para sucessão estadual até porque não tive nenhuma conversa com o governador. Mas vamos sentar, vamos conversar e espero que posamos encontrar uma solução, porque cada região tem suas diferenças políticas, mas isso não é problema”, ponderou.

Oposicionistas que não remam para a esquerda

O barco do PP enfrenta algumas fortes ondas no que tange à aliança com João Azevêdo.

Em uma declaração que repercutiu durante a semana, a deputada estadual Dra. Jane, de Santa Rita, afirmou que seguia “na oposição” e que não estava satisfeita com o tratamento dado pelo governador ao município que representa. Ela esteve presente no anúncio de Aguinaldo Ribeiro, mas não fez publicações nas redes sociais ou deu declarações públicas sobre possível adesão à base governista.

Um dos entreveros públicos entre a administração municipal e o Governo do Estado é a disputa judicial travada entre a Cagepa e a prefeitura, comandada pelo prefeito Emerson Panta, seu esposo, por causa da gestão da água e esgoto na cidade. Tanto Jane quanto o marido fazem oposição ao governador. Ainda há muita água para passar embaixo desse barco.

O caso mais emblemático de oposição ao governador, entretanto, é o da vereadora Eliza Virgínia (PP), que apesar de estar alinhada ao partido e apoiar os comandos de Aguinaldo Ribeiro, se nega a votar no governador. Ela rema, literalmente, contra a maré. Conservadora, Eliza é eleitora do presidente Jair Bolsonaro e não vê compatibilidade entre suas pautas e a atual administração estadual.

Nesta sexta-feira (17), em entrevista à Rádio Arapuan FM, Aguinaldo disse que respeita a posição da vereadora, mas que tentará convencê-la. O deputado deu a entender que pretende “respeitar” a posição divergente da vereadora e de outros aliados, mas que buscará o máximo de consenso. “Acho que 100% dos dois lados você nunca vai ter, porque você sempre tem um problema. Agora, isso tem que ser exceção e não regra”, concluiu.

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