
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia incluir o ministro Alexandre de Moraes nas investigações do caso Master após a Polícia Federal identificar conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
As mensagens foram localizadas no celular de Vorcaro durante as investigações. Em uma delas, o banqueiro pede ajuda a Moraes diante de uma suposta ofensiva da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PF já havia recuperado as mensagens armazenadas no bloco de notas do celular de Vorcaro, mas ainda não havia identificado o interlocutor. A identificação ocorreu após Mendonça, relator das investigações, determinar que a corporação esclarecesse com quem o banqueiro mantinha as conversas.
Diante do conteúdo, Mendonça pediu manifestação da PGR antes de decidir se Moraes será formalmente incluído na investigação. A Procuradoria foi intimada na segunda-feira (31) e tem prazo de cinco dias para se pronunciar.
Segundo informações obtidas pelo UOL, as mensagens foram escritas por Vorcaro em 30 de outubro de 2025. Na ocasião, o banqueiro relatou a Moraes que havia recebido informações sobre uma possível ação da PF e do Banco Central contra ele e o Banco Master.
Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou que havia sido informado de que o Banco Central estaria sob pressão da PF e do Ministério Público para adotar medidas contra ele. O banqueiro pediu que Moraes reforçasse a situação com integrantes da PF e da PGR para evitar, segundo suas palavras, uma “sacanagem” que poderia comprometer o banco.
A Polícia Federal identificou que a referência a “G” nas mensagens seria ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Já “Andrei” e “Paulo” seriam Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Pouco depois, Vorcaro voltou a escrever para Moraes e afirmou que as informações haviam sido repassadas por pessoas ligadas ao Banco Central que teriam participado das reuniões sobre o caso. O banqueiro demonstrou preocupação em preservar a identidade dessas fontes.
De acordo com a PF, Vorcaro utilizava uma estratégia para dificultar o rastreamento das conversas. Ele escrevia os textos no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp como mensagem de visualização única. Moraes, segundo o relatório, respondia utilizando o mesmo método.
Procurado, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou.
Identificação do interlocutor
A identificação de Moraes como interlocutor de Vorcaro ocorre em um momento delicado das investigações sobre o caso Master.
A Polícia Federal já tinha acesso às mensagens, mas não havia produzido, inicialmente, um relatório identificando quem conversava com o banqueiro. Segundo o relato, integrantes da cúpula da corporação chegaram a avaliar que caberia à Presidência do STF solicitar esse tipo de levantamento quando houvesse integrantes da própria Corte envolvidos.
Mendonça, no entanto, determinou que a PF identificasse o interlocutor e recebeu o relatório com as mensagens.
Agora, o ministro e seus auxiliares avaliam também a possibilidade de retirar o sigilo do documento elaborado pela Polícia Federal. A decisão sobre a eventual inclusão de Moraes na investigação deverá ocorrer após a manifestação da PGR.
Com informações do UOL

