
Nonato Guedes
O ex-deputado federal Major Fábio Rodrigues de Oliveira (Partido Novo) é pré-candidato ao Senado na Paraíba, lançado desde 15 de agosto do ano passado, assume sua identidade com as bandeiras da direita e assegura apoio à pré-candidatura do senador Efraim Filho (PL) ao governo, independente de coligação entre as legendas. Numa entrevista exclusiva ao “Polêmica Paraíba”, o Major Fábio admite apoio à pré-candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, à Presidência da República, mas diz que respeita outros pré-candidatos da direita e acredita que todos estarão juntos no segundo turno, enfrentando o presidente Lula (PT), que tentará a reeleição. O Partido Novo é sólido no Sul e no Sudeste, mas cresce lentamente no Nordeste, em Estados como Pernambuco. Além do combate ao crime organizado, que considera uma questão séria no pais, Major Fábio critica os “políticos corruptos que, segundo ele, estão envolvidos em falcatruas e desvios de verbas públicas.
Sua trajetória política começou em 2006 quando concorreu à Câmara, ficou na segunda suplência, passando para a primeira com a renúncia de Ronaldo Cunha Lima e uma licença requerida por Rômulo Gouveia. Ocupou o mandato de deputado federal, na legislatura 2007-2011, de 17 de março a 11 de junho de 2008. Em 18 de dezembro de 2008, reassumiu o mandato, desta vez como titular, após a cassação de Walter Brito Neto por infidelidade partidária. Em 2013, deixou o DEM, sucedâneo do PFL, para ser candidato ao governo do Estado, filiado ao PROS. Ficou na quarta colocação no pleito de 2014 e novamente em 2022 candidatou-se ao Executivo pelo PRTB, não tendo avançado. Reconhece que desde então afastou-se um pouco do contato com as bases mas não da militância política, tendo apostado fichas no Novo que, segundo ele, acena com perspectiva de mudanças concretas na realidade política, econômica e social brasileira.
No exercício do mandato na Câmara Federal, Major Fábio defendeu o piso nacional dos policiais militares e civis, bombeiros militares do país e chegou a alcançar 68 mil votos, numa época em que não havia bolsonarismo nem polarização de esquerda e direita acirrada, e recorria à TV Câmara e alguns blogs já existentes para levar sua mensagem. Afirma que, hoje, em algumas pesquisas de intenção de voto para senador, aparece em quinto ou quarto lugar, em outras vezes como segundo voto. Ressaltou que fica indignado com muita coisa que está acontecendo de errado, a exemplo do domínio das comunidades pelo crime organizado. “Eu quero ir para o Senado para endurecer penas contra os criminosos, para trazer recursos e estrutura para a Segurança Pública”, define o Major Fábio, que já foi candidato a prefeito de Cabedelo e fez denúncias sobre a atuação do crime organizado no território. Sobre as emendas parlamentares, adverte que o grande problema é a corrupção por parte de políticos nela envolvidos. “Parece até que os nossos políticos estão cada vez mais famintos”, desabafa.
Sobre a disputa e os adversários, Major Fábio frisou que o seu propósito é o de que ele e o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL), também pré-candidato ao Senado, ultrapassem o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) até as convenções. Por fim, ele acredita que o senador Efraim Filho, como pré-candidato ao governo, avança e tem crescido bastante, pelo que representa (juventude e experiência). “Efraim, no segundo turno, vai formar um arco de alianças, tendo mais facilidade que o governador que está aí (Lucas Ribeiro)”, prognosticou.
A sua candidatura ao Senado é para valer?
Sim, é para valer. O Partido Novo lançou a nossa pré-candidatura no dia 15 de agosto do ano passado numa reunião interna e desde aquele momento a gente iniciou a nossa pré-campanha, a nossa caminhada na Paraíba, participando de muitas entrevistas, de eventos, e temos colocado a nossa pré-candidatura representar a direita na Paraíba. Nós temos hoje uma chapa de direita, com o pré-candidato a governador, Efraim Filho (PL) e o pré-candidato a senador Marcelo Queiroga. E eu tenho colocado o meu nome também para compor essa chapa pelo Partido Novo. Nós já temos figurado bem em pesquisas feitas. Sabemos que a disputa é muito pesada, forte, mas a gente acredita muito que irá crescer e, se Deus quiser, na reta final vai estar muito bem e, se Deus quiser, ganhar essa eleição.
O senhor tem certeza que vai haver coligação entre o Novo e o PL na majoritária, aqui, na Paraíba?
Não tenho essa certeza. Na verdade, desde o início, tenho dito, tenho expressado o meu desejo de compor essa chapa da direita. O meu partido tem um pré-candidato a presidente da República, que é o Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, mas foi desenhado por ele mesmo e dito pelo próprio partido que no segundo turno nós vamos estar juntos no campo da direita. A eleição para governador da Paraíba é a mesma coisa da eleição para presidente da República, ou seja, vai ser decidida em dois turnos. Vou participar de uma eleição de um turno só, que é para senador, mas vamos apoiar a chapa da direita. Não temos outra saída senão caminhar do lado da direita. Sobre a coligação, não temos certeza porque depende muito das estratégias de Efraim, de Marcelo. O nosso partido tem um fundo eleitoral reduzido e o nosso tempo de TV é pequeno. Sei que vou até o fim defendendo essa chapa da direita, independente de estarmos coligados. Vamos caminhar a Paraíba levando nosso nome e também falando dessa chapa, de pré-candidatos a governador, senador e também os pré-candidatos a deputados federais e estaduais do Partido Novo e também dos partidos aliados da direita no Brasil.
Qual é a estrutura do Partido Novo na Paraíba? Tem diretórios, tem prefeituras, vereadores?
Não temos essa estrutura. Como o próprio nome diz, é um partido novo, que se desenvolveu no Sul e Sudeste e no Nordeste está desenvolvendo devagar, mas está desenvolvendo. A gente sabe que o Nordeste é uma região do Brasil onde a esquerda tem uma força muito grande, e a gente tem crescido em Pernambuco, vai fazer deputados federais. O jornalista Eduardo Moura, que está lá, está muito bem nas pesquisas, ia ser candidato a ser presidente da República mas resolveu partir para federal. Ele trabalhou aqui na Paraíba, foi jornalista, é vereador do Recife. Temos núcleos espalhados pela Paraíba mas ainda não temos prefeito nem vereador. O presidente do partido é José Carneiro, um empresário muito conhecido na Paraíba, um homem de visão, que tem lutado muito pelo empreendedorismo, e esta é a nossa luta também, para que a Paraíba possa crescer com segurança, que é um dos grandes pilares do desenvolvimento, e a gente pretende levar essa bandeira até o fim, de segurança para o nosso Estado.
O senhor não acredita que a pulverização de candidatos à Presidência da República pela direita (Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado) vai dividir as forças de direita no combate contra Lula?
É o que falei. Vamos ter uma eleição de dois turnos. Então, esses pré-candidatos vão estar juntos no segundo turno. Não existe perigo de nenhum desses três apoiar uma outra candidatura no segundo turno, a não ser da direita. Se puder juntar, e aí sairmos com uma força só ou duas forças, seria muito melhor, mas se isto não acontecer tenho certeza que no segundo turno essas três forças vão estar juntas.
O senhor exerceu mandato de deputado federal pela Paraíba e, depois, distanciou-se da disputa política. Isto lhe afastou das bases ou o senhor nunca perdeu o contato com o eleitorado?
Afastou. Se eu falasse que não, estaria fugindo à verdade, mas afastou. Eu lutei muito para ser deputado federal. Em 2006 fiz uma campanha sem estrutura, não era conhecido, era policial militar, tive 4 mil votos. Tinha somente a certeza na mente e no coração de que tinha fé em Deus, havia conversado com ele, e ele me fez sentir, lá atrás, que eu seria deputado federal. Fui quando me lancei na chapa pelo PFL, eu fiquei na terceira suplência. Mas Ronaldo Cunha Lima teve que se afastar para responder pelo caso do Gulliver, Walter Brito assumiu, e também teve o seu afastamento por causa da infidelidade partidária e eu acabei assumindo. Já assumira no lugar de Rômulo Gouveia, que se afastou para ser candidato a prefeito de Campina Grande, passei apenas quatro meses e, com o afastamento de Ronaldo assumi definitivamente durante dois anos e meio. Defendi o piso nacional dos policiais militares e civis, bombeiros militares do Brasil. Nós andamos o país todo, fez sessões da Câmara Federal em todas as capitais do Brasil, fizemos um grande movimento de luta pela dignidade salarial dos policiais e dos bombeiros.. Foi quando a gente saiu de 4 mil votos para 68 mil votos. Na época não existia bolsonarismo, não existia polarização de direita e esquerda, as redes sociais praticamente não existiam como existem hoje, a gente não tinha Facebook, não tinha Instagram, não tinha WhatsApp, e fizemos um trabalho através da TV Câmara, dos blogs que já existiam aqui e fomos votados em todos os municípios da Paraíba. Não consegui ganhar, fiquei na primeira suplência e Romero Rodrigues ganhou a prefeitura de Campina Grande e eu assumi mais uma vez, em 2013 até 2015. Afastei-me um pouco, depois saí candidato a governador da Paraíba. Tudo bem que a gente não saiu a contento na quantidade de votos, mas precisava mostrar que, se fosse convocado, entraria e faria um bom trabalho parlamentar. Hoje sou pré-candidato a senador e em algumas pesquisas apareço em quarto lugar, em outras em quinto, nos municípios apareço às vezes como segundo voto, segunda opção, e isso tudo é decorrência do reconhecimento do meu trabalho, da minha coerência, mas nunca participei de nenhum governo a quem fiz oposição. Não sou um político que faz oposição hoje e amanhã está abraçado. E tenho ideias firmes e próprias. Eu condeno, por exemplo, o domínio das comunidades pelo crime organizado. Isso me deixa indignado e jamais vou estar encenando, jamais vou ficar fazendo cara de opositor na mídia e, por trás, sendo conivente com as coisas que estão acontecendo no Brasil, onde, infelizmente, a corrupção também tem crescido bastante, a exemplo dos bilhões do Daniel Vorcaro. Onde está esse dinheiro? Não está no bolso do pobre, mas do político corrupto. Podem ter certeza: eu não vou sorrir para esses caras que roubam a merenda escolar, o dinheiro da Saúde, da Educação.
O senhor acha que, mais do que nunca, a Segurança Pública é o grande tema da campanha eleitoral deste ano?
Eu acredito que tem que ser. Nas pesquisas onde o eleitor coloca o principal tema, a Segurança está em primeiro lugar. Antigamente ficava atrás da Saúde, que também é precária; ninguém oferece uma saúde de excelência no Brasil para o cidadão. Mas a questão da Segurança, hoje, tem dominado. Há políticos envolvidos completamente com a criminalidade, procurando fazer parceria ou com medo mesmo. Mas a gente não pode permitir que um líder religioso, para entrar na comunidade, tenha que permitir permissão ao líder de facção. Eu não aceito isso de jeito nenhum. O que eu puder fazer para impedir que as facções comandem a comunidade eu vou fazer. Eu vou para o Senado para endurecer penas, para trazer recursos para a Segurança Pública, vou lutar para que o policial tenha toda a estrutura estabelecida ao seu redor, necessária para combater o crime. Então, a gente vai com esse propósito e eu espero que esse tema seja debatido. Estou nessa pré-campanha para discutir esse assunto, que é melindroso. Pouca gente tem coragem, mas eu vou para insistir, para ficar batendo na tecla, mostrar o que nós fizemos em Cabedelo. Fui candidato lá a prefeito e a gente denunciou a realidade de lá – tanto que hoje já três ex-prefeitos afastados. Até pouco tempo ninguém imaginaria que isto acontecesse, mas é exatamente pela nossa persistência, nossa coragem em discutir esse assunto tão melindroso, que acredito no apoio do eleitorado. E vamos para cima sem medo, porque estou do lado do cidadão. Fiz um juramento de, com o risco da própria vida, defender o cidadão, e eu vou defender até o fim.
Há muita confusão sobre as emendas parlamentares. Alguns dos próprios políticos acham que há excessos no volume de recursos e sugerem uma revisão dos critérios. O que o senhor propõe?
Para mim, o grande problema é a corrupção. O grande problema é que o bêbado, lá na porta da cidade, no barzinho, comenta que o deputado está colocando dinheiro para o prefeito e que o prefeito está devolvendo dinheiro para ele. O bêbado sabe disso, as pessoas sabem disso, o Brasil sabe disso. Então, precisamos fiscalizar. O que tem de obras inacabadas na Paraíba, no Brasil, é uma coisa terrível, muito triste. Creches que eram para ser construídas em seis meses, um ano, estão lá abandonadas, hospitais, escolas. O que é feito, então, do dinheiro que pagamos pelos impostos? A carga tributária faz com que o cidadão trabalhe praticamente quase meio ano para poder pagar. As emendas são importantes para as bases dos deputados. Eu tenho emendas em Cabedelo e muitas ruas de lá foram calçadas com esses recursos. Nunca conversei com um prefeito para pegar um centavo de volta. Não vou citar nomes, mas esse absurdo é verdadeiro no Brasil. Parece até que os nossos políticos, cada dia mais, estão famintos, e a corrupção tem crescido bastante, com eles envolvidos em desvio de dinheiro, cidades onde políticos colocam dinheiro porque prefeitos ou prefeitas são da sua família. O problema dessas emendas, repito, é a corrupção.
Há candidatos considerados fortes na eleição ao Senado este ano, como João Azevêdo, Veneziano Vital do Rêgo, o próprio Marcelo Queiroga, Nabor Wanderley. O senhor se sente em posição desigual perante o peso desses concorrentes?
Na verdade, eu acredito que João Azevêdo é um forte candidato, porque foi governador e secretário de Ricardo Coutinho durante oito anos, fez a sua base na Paraíba toda, temos Veneziano, com quase oito anos como senador, Marcelo Queiroga, que para mim fez um grande trabalho como ministro da Saúde, o Nabor é pesado, as pessoas não costumam citá-lo entre os candidatos, ele é muito desconhecido, pelo menos conforme tenho visto, é conhecido como pai do presidente da Câmara, que também não está bem, com rejeição tanto na direita como na esquerda, não conseguiu definir o que é. Eu acho Nabor pesado demais, André Gadelha tem dificuldades, assim como eu também. Sobre Veneziano, era para estar muito mais na frente, mas não está com essa diferença toda da gente. Acho que eu e Marcelo temos muitas chances de4, juntos, de mãos dados, passarmos pelo menos um dos dois. Temos um conhecimento maior na Grande João Pessoa, fui muito bem votado também em Bayeux, acredito que estamos crescendo, devagarzinho, falta esclarecer melhor o eleitor que ele tem duas opções para o Senado. Na verdade, eu não estou querendo crescer muito agora. Espero que lá pela convenção já estejamos bem próximos de Veneziano, não sei se João vai continuar caindo. Se ele cair, a gente passa os dois. Mas o meu propósito é o de que eu e Marcelo passemos Veneziano. Vamos correr atrás disso, e a gente ter pelo menos uma vaga da direita. Eu vou ajudar Marcelo, que tem sido muito leal. Não vou falar mal de nenhum pré-candidato, agora digo a verdade: vou lutar contra a corrupção e vou lutar contra o crime, que andam juntos no Brasil. Não tenho medo, porque vou bater pernas. Nenhum dos nomes aqui citados vai ter mais força, vai ter mais coragem. Estou treinando para isso, estou caminhando, correndo, e se Deus quiser a gente vai lograr êxito.
O senhor acha que o senador Efraim pode surpreender e ganhar a eleição de governador no segundo turno?
Quem for para o segundo turno vai ter chances, não é? Então, assim: Efraim é político que mostrou competência na campanha de senador em 2022, partiu na hora certa, fez o que tinha para fazer, a política é muito dinâmica. Efraim é aquele político que apontou para a frente e vai seguir em frente. Já vi alguns dos pré-candidatos titubeando com dificuldade, acho que Cícero Lucena está com um pouco de dificuldade ainda, começou bem nas pesquisas mas agora está meio fraco. Efraim continua sempre seguindo em frente. Acho que ele tem crescido com estratégia e habilidade para ganhar na hora certa. Política a gente precisa ganhar na hora certa. O candidato vai crescendo, crescendo, de repente…Tempos atrás, Cícero estava na frente, ninguém acreditava que algum concorrente “pegasse” Cícero e que o ocupante da máquina do governo (Lucas Ribeiro) seria segundo lugar.
Hoje, a gente já vê que existe essa dúvida sobre quem vai para o segundo turno. As projeções indicam que Efraim está se aproximando de Cícero, pelo menos é a minha impressão, independente de pesquisas. Eu não contratei nenhuma pesquisa, apenas estou observando as pesquisas que estão sendo divulgadas e que deixam dúvidas por números diferentes. Mas o que se vê é que Efraim tem crescido bastante, pelo que ele representa (juventude, mas também experiência). O atual governador é jovem mas não se pode dizer que ele tenha experiência. A família dele tem experiência, mas ele próprio não tem. Efraim junta essas duas coisas. Cícero tem experiência mas não é o Cícero que eu presenciei com a idade quando foi vice-governador da Paraíba. Eu era tenente da Polícia, assisti quando ele fez a transição para assumir o governo. E Efraim é novo, foi deputado federal por vários mandatos e agora senador, escolhido o melhor senador do Brasil. Então, ele tem demonstrado que tem experiência e vai ajudar muito a Paraíba. Efraim, no segundo turno, vai formar um arco de alianças, tendo mais facilidade que o governador que está aí. Acredito que ele (Efraim) será o governador da Paraíba.
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