Opinião: Ética do PT cita ‘combate à corrupção’ mas partido pune parlamentar sem escândalos

Sem histórico de corrupção ou de qualquer conduta desabonadora enquanto parlamentar, o deputado estadual Anísio Maia foi alvo de um processo disciplinar duvidoso no Conselho de Ética do Partido dos Trabalhadores, tendo sido suspenso por 6 meses, em decisão tornada pública em primeira mão, no blog, nesta quinta-feira (24).

Pertencente aos quadros históricos da esquerda nacional, Anísio Maia é petista raiz e defende políticas declaradamente de esquerda e progressistas, valores com os quais o PT diz ter ligação desde de sua fundação. Na prática, é um daqueles parlamentares com os quais se pode ter muitas divergências no ambiente democrático, por suas visões de mundo. Mas suas práticas parecem e são honestas.

A defesa da ‘honestidade’ existe no Código de Ética do PT, pelo menos na teoria. Está no artigo 14, sobre a conduta dos parlamentares com mandato. Segundo o documento, eles devem se “empenhar no combate permanente à corrupção e à improbidade administrativa”. Mas, alguém tem notícias de algum processo aberto contra um parlamentar petista envolvido em escândalos de corrupção?

A punição contra Anísio não ocorreu porque ele praticou qualquer desvio de recursos públicos, mas tão somente porque ele teve a audácia de ter sido candidato a prefeito de João Pessoa, em 2020, contra Ricardo Coutinho, que contava com o apoio da Direção Nacional.

Ao blog, um integrante da comissão de ética do PT tentou justificar a punição: “a comissão de ética considerou que ele cometeu falha disciplinar”. De todos os artigos da ética petista, esse foi o escolhido para punir o deputado paraibano.

Fica, então, uma pergunta que não quer calar: e quanto aos filiados supostamente envolvidos em escândalos de corrupção ou que mostraram-se coniventes com graves irregularidades, quais providências serão tomadas em nome da ética partidária petista?

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