2021: o ano da ‘reinvenção’ do jornalismo político – por Felipe Nunes

Jornalista Felipe Nunes no estúdio da Rádio Arapuan FM

Depois de uma intensa cobertura jornalística em 2021, num contexto inédito e desafiador na busca pela notícia, chegou a hora do necessário descanso, de pisar levemente no freio. Momento para recarregar as energias, traçar metas e aquecer os propulsores para os dias que virão em 2022.

Mas não sem antes fazer uma avaliação do que se passou nos últimos 11 meses, afinal, a pandemia da Covid-19 trouxe consigo histórias e acontecimentos que nos marcaram para sempre. E nós acompanhamos tudo em tempo real, seja na cobertura radiofônica, televisiva ou online.

O distanciamento social, iniciado ainda em 2020, impôs novas rotinas produtivas para os profissionais da imprensa e a tecnologia tornou-se uma aliada ainda mais presente. Isso se verificou, por exemplo, nas entrevistas, que passaram a ser feitas por videochamada e nas tradicionais coletivas, que se tornaram virtuais.

Nós, os repórteres, nesse contexto, tivemos que nos reinventar em 2021. Como falar ao microfone usando máscaras? As fontes passaram a gravar sonoras através do Whatsapp, ferramenta que mostrou-se indispensável para a apuração dos fatos em tempo real. Profissionais setoriais, de política e economia, viram se diluir as fronteiras do jornalismo.

Não raramente, tivemos que noticiar a morte de agentes públicos, vítimas do coronavírus, que eram as nossas fontes diárias: a do senador José Maranhão (MDB), diga-se de passagem, uma das mais traumáticas coberturas do ano. Sentíamos a dor da família, com uma fagulha de esperança que se esvaiu em 08 de fevereiro.

A política se misturou com a saúde pública, que por sua vez esteve ligada às questões da Economia, do Direito, da Antropologia e da Psicologia. Tivemos que ler e interpretar decretos, além de buscar o auxílio dos especialistas com mais frequência. A dificuldade, em certas coberturas, era dar voz aos divergentes. Mas assim mesmo eles se expressaram, ora  na mídia tradicional, ora nas mídias sociais.

O que vem primeiro, a saúde ou a economia? Fecha ou abre o comércio? Eram questões diárias que a audiência nos impunha a debater.

O jornalismo se manteve firme, apesar dos percalços e limitações de dentro e de fora.  Não foi fácil ouvir, diariamente, o número de mortos por Covid-19. Todos os dias, um boletim a ser lido, interpretado e noticiado. Um exercício mental diário, pois ali não eram só números. Afinal, como traduzir a dor de cada família?

Por outro lado, outro número: o de vacinados. Como não torcer pela aplicação cada vez maior de novas doses nos braços de cada cidadão, e como não vibrar com cada remessa que chegava em solo estadual com milhares de novas doses? Sinais de esperança à vista.

A pandemia, contudo, trouxe aprendizados. Tornamo-nos jornalistas mais humanos (com exceções). Passamos a nos preocupar mais com quem está ao lado. Choramos também, apesar dos indiferentes que transformaram um momento de dor em palco para discursos ou vãs filosofias ideológicas.

Erros ditos foram foram corrigidos, que bom! Afinal, não é correto dizer ‘o choro é livre’ para famílias de classe média atingidas por medidas de restrição social.

O momento de dor também nos permitiu ousar mais, vencer nossas limitações e alcançar novos voos. Em nossa experiência particular, entrevistamos parlamentares federais da Paraíba e de outros estados, da base governista e da oposição ao Governo Federal, que discutiam semanalmente resoluções para as crises sanitária, social e política.

Da Brasília para a Paraíba.

Tivemos a oportunidade de dialogar, também, com ministros do Palácio do Planalto, questionando-os sobre problemas da região Nordeste, a seca, a pobreza. E fizemos uma entrevista inédita com o presidente Jair Bolsonaro, no Sistema Arapuan, com repercussão nos principais veículos de mídia do Brasil, sendo a pandemia e a política as pautas centrais: vacinas, aumento do gás, da gasolina, eleições 2022.

Para fechar, a estreia do blog Agenda Política, este espaço virtual, que chegou para intensificar ainda mais a  cobertura que se iniciamos no mês de janeiro. Com informações de bastidores, notícias exclusivas, as declarações marcantes dos agentes públicos, as entrevistas palpitantes que se tornaram notícia no Estado. Tudo sem perder de vista adjetivos como a responsabilidade, a correção e a autenticidade.

Chegamos a dezembro com sentimento de dever cumprido, na certeza de que novas missões e desafios virão no próximo ano. Como dito, vamos pisar no freio em dezembro, mas não iremos parar. Vamos recarregar as energias, traçar novas metas e, enfim, voltaremos com ainda mais velocidade (e responsabilidade) em 2022.

Felipe NunesAgenda Política

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