‘Dallagnol entra na política para se contrapor a atores que desviam recursos públicos’, diz coordenador do Gaeco

Para o coordenador do Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público da Paraíba (MPPB), Octávio Paulo Neto, a saída de Deltan Dallagnol do Ministério Público Federal (MPF) é consequência de um processo de ‘sufocamento’ do trabalho exercido por ele na instituição.

Em áudio enviado ao autor do blog e repercutido na Arapuan FM, nesta sexta-feira (05) o promotor paraibano disse que o colega foi alvo de ‘práticas pouco republicanas’ e pressões de agentes políticos citados em investigações da Operação Lava-Jato.

“Eu creio que Deltan resolveu ingressar na política, para dentro desse teatro de guerra, se contrapor a esses atores que fazem da política um meio de instrumentalizar suas vidas e desviar recursos públicos”, avaliou. Segundo o promotor, parte das perseguições sofridas pelo MPF se devem às ações da Lava-Jato no combate à corrupção.

“A saída de Deltan pode acarretar um maior abrandamento nessa perseguição insana que o Ministério Público vem sofrendo, e isso só demonstra que somos uma democracia nova. Temos evoluções e involuções. Tudo isso só mostra que nós, como cidadãos, participarmos mais ativamente da política e tentar mudar as coisas”, ressaltou.

Octávio Paulo Neto acrescentou que fica triste com a saída de Deltan do MPF, mas desejou sorte ao colega: “Que ele consiga, de fato, propagar os princípios e valores que ele carrega consigo”, finalizou.

Saída de Deltan

O ex-coordenador comunicou ontem sua saída ‘definitiva’ do Ministério Público e sinalizou que vai entrar na vida partidária. Por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, ele disse que pretende ‘lutar com mais liberdade pelas causas que acredita’.

O procurador da República explicou que desde a faculdade ‘carrega um sonho de um país mais justo e melhor’ e que, ao longo de 18 anos, lutou por isso no âmbito do MPF. Ele mencionou avanços que segundo ele foram obtidos com a Operação Lava-Jato, mas lamentou retrocessos no combate a corrupção.

“A sensação é de que o que fizemos está sendo desfeito e a impunidade dá uma carta branca para quem nos rouba continue roubando. Isso precisa parar. Esse momento difícil nos desafia a fazer tudo o que está ao nosso alcance, pelos meios democráticos, para desfazer os retrocessos e restaurar a Justiça”, avaliou.

OUÇA ÁUDIO DE OCTÁVIO PAULO NETO

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