Ivandro e Zé Maranhão, a prova de uma amizade que resistiu às polarizações – por Felipe Nunes

Ivandro e José Maranhão eram amigos desde a juventude / Foto: reprodução

Falecido neste sábado (28) aos 92 anos, em Campina Grande, o ex-senador Ivandro Cunha Lima é uma dessas raras unanimidades que a política consegue produzir, de tempos em tempos, no Brasil.

Era um político que não se deixava contaminar pelas polarizações momentâneas ou duradouras. Preferia construir pontes a muros e preservar velhos amigos.

Uma dessas conexões que sobreviveu a momentos turbulentos da política foi a sólida amizade que construiu com o ex-governador da Paraíba, José Maranhão, falecido em fevereiro do ano passado em decorrência das complicações da Covid-19.

Essa admiração mútua conseguiu resistir a duras disputas políticas que dividiram a Paraíba ao meio. Uma lealdade cuja tenacidade foi testemunhada de perto pelo neto de Ivandro, Bruno Cunha Lima, hoje prefeito de Campina Grande.

Conta Bruno que Ivandro e Zé se conheceram ainda na juventude, em Araruna, onde o avô cresceu – depois que saiu de Guarabira, cidade onde nasceu em 1930 (hoje Cuitegi).

Depois, por força da política, eles se reencontraram. Chegaram a ser deputados federais juntos, colegas na mesma legislatura na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Durante mais de um ano, entre 1997 e 1998, percorreram o estado juntos, formando uma dupla que poderia formar a chapa de governador e vice que concorreria naquele pleito.

Por força das circunstâncias, entretanto, a chapa não se concretizou. Eles ficaram em lados opostos. Era o início de um novo ciclo na politica que dividiu a Paraíba em duas cores e correntes.

Ivandro, entretanto, não pensou duas vezes: decidiu sair da política, não queria mais disputar mandatos, mesmo tendo todas as condições para ser conduzido pela terceira vez a um mandato federal.

A justificativa é conhecida por muitos: “Não subirei no palanque de um irmão contra um amigo e não subirei no palanque de um amigo contra um irmão”.

As barreiras que os separavam, entretanto,  foram sendo transpostas. Embora não voltassem a militar juntos, a relação de convivência e de admiração sempre existiu. Bruno Cunha Lima viu isso de perto.

Em 2014, o neto que muito se inspirou no avô, depois de 16 anos, foi o primeiro da família a subir no mesmo palanque que Zé, em Rio Tinto. Ambos foram eleitos naquele ano. Era o início de uma reaproximação simbólica entre as duas famílias.

No dia da morte de Ivandro, essa é uma das muitas histórias de amizade que ele nutriu e construiu. Uma das mais simbólicas. A prova de uma amizade que resistiu às polarizações.

Felipe Nunes

 

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