A visita que o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, faz ao governo brasileiro nesta segunda-feira (29), causa indignação e desapontamento em refugiados da Venezuela que escolheram o Brasil para fugir da fome e da perseguição política. Para o jovem Alexander Moreno, de 25 anos de idade, vítima da repressão política no país vizinho e que morou na Paraíba até o ano passado, a sensação é de injustiça.
Em mensagem enviada ao blog Agenda Política, Moreno classificou como “negativa” a recepção que o presidente Lula (PT) deu ao ditador, já que segundo ele, o gesto representa uma ameaça aos refugiados que escaparam da ditadura.
“Como podemos falar sobre a ação do governo, que protege uma comunidade que foge da perseguição, da ditadura, da fome, do narcotráfico, e esse mesmo país abraça de forma saudável e benevolente um tirano? Isso não é positivo”, avaliou.
Alexander era estudante de Direito e fazia oposição ao regime venezuelano. A decisão de sair do país aconteceu depois que ele participou de protestos contra Maduro e passou a ser perseguido pelo governo local. Até a mãe do jovem, tida como ‘cúmplice’, foi perseguida, fazendo com que eles fugissem para o Equador.
De lá, com a ajuda de frades franciscanos, vieram para o Brasil, e se estabeleceram na Paraíba em março de 2018. Alexander e sua mãe moraram no Convento Ipuarana, em Campina Grande, até o ano passado. No Brasil, o jovem voltou a estudar Direito, em uma faculdade privada, e aos poucos foi estabelecendo uma nova vida.
No ano passado, em meio a uma nova perspectiva profissional, mudou-se para São Paulo, onde mora e trabalha há 8 meses. Por enquanto, ele não pensa em voltar para o país de origem.
“Acho que essa visita de Nicolás Maduro, com a recepção que o presidente Lula deu a ele, pode trazer insegurança para a comunidade venezuelana que vive no Brasil. Essa visita nos traz insegurança e falta de proteção para nós”, reforçou. (OUÇA ABAIXO).
De acordo com observatórios internacionais, a ditadura da Venezuela é responsável por milhares de mortes (mais de 10 mil), além de prisões ilegais, cassações de mandatos e outras restrições de direitos. A fome, entretanto, é uma das piores mazelas do país, provocando a migração de milhões de pessoas ao longo dos últimos anos.
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