Esquerda não aprende com 2018 e reage com intolerância à fé de Michelle

Primeira-dama Michelle Bolsonaro ora após aprovação de André Mendonça para o STF / Foto: reprodução

A reação da militância de esquerda a um vídeo em que a primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece fazendo uma oração após a aprovação de André Mendonça para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mostra o quão distante da realidade do país estão alguns grupos “progressistas” que desejam viabilizar um caminho ao Palácio do Planalto em 2022.

As imagens mostram Mendonça, familiares dele, Michele e mais um grupo de religiosos e parlamentares acompanhando, pela televisão, o anúncio do resultado da votação no plenário do Senado, na quarta (1°). A esposa do presidente foi parar nos assuntos mais comentados das redes sociais após citar a expressão “glória a Deus” e fazer uma oração baseada em sua crença cristã-pentecostal.

Na internet, dentre os adjetivos mais amenos, “raça de evangélicos”, “palhaços” e até comparações com o “Talibã”, grupo terrorista que voltou a dominar o Afeganistão e é conhecido por praticar torturas contra mulheres e minorias.

São críticas completamente infundadas, contrárias ao costume religioso da primeira-dama e de mais de 30% da população brasileira, segundo as estatísticas mais recentes.

Se a nomeação de alguns ministros, outrora, foi comemorada e regada a bebidas caras, vinhos e outras coisas mais, qual o crime de um “glória a Deus”? O episódio demonstra como a esquerda não aprendeu com os erros de 2018, quando perdeu as eleições para Bolsonaro, que recebeu o apoio maciço de protestantes.

Ao ignorar a realidade brasileira, com preconceito religioso, a militância de esquerda agride também àqueles a quem diz defender: a maioria dos negros já adeptos ao evangelicalismo, as mulheres (milhões de Michelles), os que vivem na periferia, os pobres, mas também ricos e pessoas de todas as classes sociais. Além de um erro de cálculo político, não é bom para o país tamanho descompasso com a realidade.

Se não estivesse permeado do preconceito religioso, parte do debate poderia ser considerado legítimo, já que algumas críticas versam sobre a possível “mistura” de Estado e religião ou em relação ao “excesso” de comemoração num ambiente público, o Congresso Nacional, em relação à nomeação de um futuro ministro do STF.

Ainda assim, vale destacar: o Brasil é um país laico, mas não é um Estado ateu nem antirreligioso, pois assegura a manifestação religiosa em espaços públicos. No Congresso, já houve manifestações católicas, espíritas etc, pois é um ambiente composto por pessoas religiosas.

Os ataques à primeira-dama ocorrem uma semana depois que o ex-presidente Lula tentou construir uma ponte com os evangélicos visando as eleições de 2022, através de uma reunião virtual e pública, nas redes sociais. Mas parece que todo o esforço do petista no sentido de reiniciar algum diálogo com o segmento, tem sido destruído pela própria militância e aliados que o apoiam nas redes sociais, sejam políticos, artistas ou ativistas (não vou citá-los aqui, a lista é grande).

Como bem pontuou a jornalista Madeleine Lackso, que inclusive é crítica ao Governo Bolsonaro, até a imprensa embarcou na onda da intolerância, mostrando o descompasso com a vida real. “Chega a ser patético – e é absurdamente preocupante – o grau de desconhecimento sobre a rotina e as crenças do cidadão comum. Alguém que se surpreende com aquele vídeo não tem condições de reportar o mundo real, vive numa bolha”, escreveu ela.

Por outro lado, Michelle recebeu apoios de alguns políticos da base e até adversários do presidente, a exemplo do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que escreveu: “Lamentável qtos posts, a partir dessa noticia, cuspindo preconceito contra a fé dos outros. São os mesmos q vivem reclamando de discriminação. Minha solidariedade a Primeira Dama. Q ela possa manifestar sempre sua fé c liberdade”.

Confira a seguir algumas publicações sobre o assunto.

Felipe Nunes – Agenda Política

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