
Um detalhe chama atenção nas imagens que antecederam a confusão envolvendo Ricardo Coutinho na noite desta sexta-feira (21): quem começou a registrar a cena foi o próprio suspeito, Romero Andrade. Ex-integrante da Polícia Militar e com forte presença nas redes sociais, ele filmou a própria abordagem ao candidato e as reações dos militantes.
Nas redes sociais, Romero se apresenta como “sargento”, apesar de já ter sido expulso da corporação. No Instagram, seu perfil reúne cerca de 169 mil seguidores, transformando o ex-PM também em um personagem com audiência considerável na internet.

No vídeo gravado pelo próprio Romero, ele se aproxima do ato político enquanto filma e chama Ricardo Coutinho de “governador ladrão”. Militantes tentam conversar com ele e questionam se considera correto ir até um evento de campanha para atacar verbalmente o candidato.
Quando um dos presentes também começa a filmar a cena, Romero tenta retirar o celular das mãos do militante. A tensão aumenta e antecede a confusão que terminaria com sua prisão.
O fato de o próprio suspeito ter chegado ao local gravando a abordagem acrescenta uma questão ao episódio: Romero pretendia transformar o confronto em conteúdo para suas redes sociais?
Não há, até o momento, comprovação de que a confusão tenha sido planejada com essa finalidade. Mas o contexto chama atenção em um período no qual a polarização política também se transforma em combustível para alcance, engajamento e viralização nas plataformas digitais.
A gravação feita pelo próprio Romero mostra que o celular não entrou em cena apenas depois que a discussão começou. Ele já registrava sua abordagem e os ataques verbais ao candidato, numa situação que poderia posteriormente ser compartilhada com seus milhares de seguidores.
A confusão ganhou contornos mais graves posteriormente. Romero foi preso e, segundo as informações da ocorrência, uma faca e um simulacro de arma de fogo foram encontrados com ele. Militantes também relataram agressões durante o tumulto.
O episódio agora deixa duas discussões distintas. A primeira, de natureza policial, diz respeito às circunstâncias das ameaças, da confusão e aos objetos encontrados com o suspeito. A segunda passa pelo ambiente das redes sociais: até que ponto a polarização política pode ser explorada como conteúdo em busca de repercussão, visualizações e engajamento?
No caso de Romero Andrade, qualquer conclusão sobre essa intenção ainda depende de elementos que a comprovem. O que as próprias imagens registram, porém, é que o suspeito não apenas participou da confusão: ele também começou a contar essa história com a câmera do próprio celular.
O post BUSCA POR ENGAJAMENTO? Ex-PM suspeito de ataque contra Ricardo Coutinho tem 169 mil seguidores e se gravou antes de confusão apareceu primeiro em Polêmica Paraíba.

