
No mês em que se celebram as conquistas e se discutem os desafios enfrentados pelas mulheres, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho surge como mais um obstáculo para a equidade no Brasil, especialmente em cargos de liderança. Dados recentes mostram que mulheres que ocupam funções de direção e gerência continuam recebendo salários inferiores aos dos homens que exercem as mesmas funções.
Um boletim do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de 2025, aponta que mulheres em cargos de direção e gerência recebem, em média, R$ 6.798 por mês. Já os homens, exercendo as mesmas funções, têm rendimento médio mensal de R$ 10.126.
A diferença salarial chega a R$ 3.328 mensais. Ao longo de um ano, essa disparidade representa cerca de R$ 40 mil a menos no bolso das profissionais, mesmo quando desempenham o mesmo cargo.
A diferença salarial evidencia que, apesar dos avanços nas últimas décadas, barreiras estruturais e culturais ainda impactam a presença e a valorização feminina em posições de poder.
O levantamento considera dados de empresas de diferentes portes e localidades em todo o país. Segundo o Dieese, a média inclui organizações instaladas em grandes centros urbanos e também em cidades menores, além de abranger gerentes e diretores de diversos tipos de estabelecimentos. Isso indica que a desigualdade salarial não se restringe a setores específicos ou apenas a grandes corporações, sendo um fenômeno disseminado em diferentes segmentos da economia.
As informações utilizadas no estudo têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao terceiro trimestre de 2024. O levantamento também mostra que, em nenhum estado brasileiro, a remuneração média mensal das mulheres supera a dos homens quando se trata de cargos de liderança.
Desigualdades no Mercado de Trabalho
O cenário reforça a persistência de desigualdades estruturais no mercado de trabalho.Nos últimos anos, iniciativas legislativas buscaram enfrentar essa disparidade. A Lei de Igualdade Salarial entre Homens e Mulheres (Lei nº 14.611/2023) trouxe avanços ao estabelecer medidas de transparência salarial e prever penalidades para empresas que descumprirem as regras.
A legislação determina, por exemplo, que companhias com determinado número de funcionários divulguem relatórios de transparência e adotem mecanismos para garantir equidade nas remunerações.
Apesar desses avanços, especialistas avaliam que a legislação, por si só, ainda não é suficiente para eliminar a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Além das diferenças de remuneração, muitas profissionais relatam enfrentar resistência, machismo e obstáculos adicionais para alcançar ou permanecer em cargos de liderança.
O debate ganha força no mês dedicado às mulheres, reforçando a necessidade de políticas públicas e mudanças culturais que promovam maior equidade no ambiente de trabalho.
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