
Oficializada praticamente como pré-candidata a deputada federal por São Paulo pelo PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, a jornalista paraibana Rachel Sheherazade, que se projetou como apresentadora de telejornal no SBT, já sinalizou que pretende fugir de rótulos ideológicos na sua trajetória, saindo da órbita da polarização que continua sendo travada entre esquerda e direita. Ela já foi ‘patrulhada’ como direitista quando se expunha em comentários na televisão sobre fatos de repercussão social, mas tem modulado tem seu perfil de modo que é enquadrada, hoje, no contexto de “reformista”, prometendo, por exemplo, defender justiça social. Rachel decidiu ingressar na política partidária após mais de duas décadas de atuação no jornalismo e disse que abraça o desafio “com muito amor, mas também com muita responsabilidade”. Deverá dividir espaços com outra paraibana ilustre, Luíza Erundina (PSOL), atual deputada federal e que foi prefeita de São Paulo derrotando Paulo Maluf em acontecimento inédito na conjuntura local.
Sheherazade, que foi “descoberta” por Sílvio Santos por causa de comentários na TV Tambaú, de João Pessoa, afiliada do SBT, sobre temas corriqueiros da Capital paraibana, fez carreira fulminante na metrópole paulista e acabou entrando em conflito com a empresa, que acionou na Justiça cobrando indenização após ter sido demitida. Autora de livros, um deles intitulado “O Brasil tem cura”, Rachel recebeu convites de partidos de diferentes posições políticas mas decidiu se aproximar do PSD após mais de um ano de conversas. Segundo ela, a legenda lhe garantiu liberdade para defender suas próprias ideias e bandeiras. Na Paraíba, o controle do PSD passou às mãos do ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, que foi candidato a governador em 2022 e teve surpreendente desempenho. No pleito deste ano, o PSD apoia a pré-candidatura do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) ao governo, que tem como vice o empresário Diogo Cunha Lima, irmão de Pedro e filho do ex-governador Cássio Cunha Lima.
A jornalista informou que pretende adotar uma postura baseada em moderação, diálogo, civilidade e justiça social. Jurou no discurso de anúncio da pré-candidatura que seu pensamento nunca se enquadrou em campos políticos previamente definidos e pediu que os eleitores não esperem dela a defesa de um conjunto fechado de ideias. “Não esperem de mim a defesa de uma ideologia. Ideologia é um combo de ideias prontas, ideias acabadas, de verdades inquestionáveis, de verdades intocáveis”, definiu a irrequieta comunicadora. Ela acrescentou que respeita quem tem suas próprias posições ideológicas, mas enfatizou que seu pensamento “nunca coube e jamais caberá em caixas” e que não aceita ser rotulada ou enquadrada em um espectro político. Em outro trecho do seu pronunciamento, ela fez valer a contundência com que atuou na TV, criticando a atual composição do Congresso Nacional. Sheherazade qualificou o Parlamento como “inimigo do povo” e afirmou que os interesses das elites econômicas estariam representados em maior número do que os das parcelas mais vulneráveis da população.
“A minha voz será ainda mais forte para defender o que eu acredito e ficar do lado daqueles que não têm voz nem vez. Porque o Congresso inimigo do povo está dominado por despachantes de milionários, donos de bets, de veículos de comunicação, de banqueiros”, alvejou, segundo registro do “Congresso em Foco”.
A pré-candidata assegurou que pretende atuar ao lado das pessoas que mais dependem das políticas públicas e da presença do Estado. “Há representantes de sobra para as elites econômicas no Congresso Nacional e há pouquíssima gente para defender a gente que mais precisa do Estado. É ao lado dessas pessoas que eu vou lutar”, salientou, acrescentando que não tem sobrenome tradicional da política e que nunca precisou negociar a sua consciência para chegar ao topo da sua profissão.
Ao menos 24 artistas e influenciadores buscam emplacar candidaturas nas eleições deste ano, conforme levantamento do “Congresso em Foco”. A lista conta com Rachel Sheherazade, Silvia Abravanel, a filha do falecido empresário Sílvio Santos, Val Marchiori, Geraldo Luis, Luis Fabiano, Paulo Angelito e MC Darlan. Silvia Abravanel diz que quer usar a experiência em programas de entretenimento e a relação com públicos ligados à inclusão e às pessoas com deficiência. Constam, ainda, os apresentadores José Luiz Datena e Sikêra Júnior que são citados em articulações para disputar vagas por São Paulo. O ator José de Abreu também deverá concorrer às eleições, além de ex-jogadores.
Rachel Sheherazade explica que pretende continuar na política a missão que diz ter exercido no jornalismo, agora com instrumentos institucionais para apresentar propostas e participar das decisões do país. “Hoje eu preciso continuar a minha missão na política, onde terei as ferramentas mais eficazes e onde não poderão mais calar a minha voz”, acredita a jornalista paraibana.
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