
O apoio do ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, presidente estadual do PSD, à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) ao governo, confirmado ontem em Campina Grande, é um reforço estratégico valioso para a campanha do alcaide da Capital, que vinha se empenhando em conquistar esse troféu, inclusive, travando queda-de-braço com o senador Efraim Filho, do União Brasil, pré-candidato do bolsonarismo ao Executivo. Mais do que apoio simbólico, Pedro prometeu engajamento na campanha do alcaide emedebista. Na campanha de 2022, Pedro formou dobradinha com Efraim disputando o Palácio dos Despachos, enquanto este perseguia uma cadeira no Senado. Efraim foi vitorioso nas urnas, derrotando pesos-pesados como o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) e Pedro avançou para o segundo turno, enfrentando o governador João Azevêdo (PSB) no segundo turno, num páreo equilibradíssimo que foi decidido a favor do chefe do Executivo pelo suporte de pequenos e médios colégios eleitorais da Paraíba.
O lançamento da pré-candidatura de Cícero Lucena ao governo, após rompimento seu com o PP e com a liderança do governador João Azevêdo, abriu a possibilidade de reedição de alianças firmadas no passado entre Cícero Lucena e os Cunha Lima. Em 1990, o poeta Ronaldo derrotou Wilson Braga no segundo turno tendo como vice Cícero Lucena, que fazia sua estreia na disputa de mandatos eletivos. Em 2002, Cássio Cunha Lima elegeu-se governador tendo como vice Lauremília Lucena, mulher de Cícero. O reencontro vinha sendo costurado com paciência e engenho nos bastidores políticos e um trunfo adicional para Cícero foi a disposição manifestada por Pedro Cunha Lima de não se candidatar a mandatos este ano. No evento, ontem, em Campina Grande, foi agitado o nome de Pedro como provável vice de Lucena, mas essa questão não é pacífica dentro do próprio “clã” Cunha Lima, que cogita outras opções como o deputado federal Romero Rodrigues ou o deputado estadual Fábio Ramalho, que permaneceu até agora no PSDB para apagar as luzes de um partido que se esvaziou completamente no Estado. O PSDB foi o refúgio dos Cunha Lima após o rompimento com José Maranhão e a debandada do PMDB.
A aliança em torno de Cícero no segundo maior colégio eleitoral da Paraíba é expressiva e envolve, ainda, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), ex-candidato ao governo em 2022, que se aproximou politicamente dos Cunha Lima com a perspectiva de vir a contar com o seu apoio decisivo para a campanha à reeleição ao Senado. Do “clã” Cunha Lima ficou de fora da caravana de Cícero o prefeito Bruno Cunha Lima, filiado ao União Brasil e, naturalmente, comprometido com a pré-candidatura do senador Efraim Filho. Na hipótese de Cícero conquistar vaga no segundo turno pela oposição, contra o vice-governador Lucas Ribeiro, do PP, Bruno não deverá ter dificuldades, porém, para se enquadrar à nova realidade. Na prática, Cícero Lucena e Veneziano Vital do Rêgo protagonizaram nas últimas horas um evento de repercussão fadado a oferecer capilaridade eleitoral ao projeto do prefeito de João Pessoa. É um acordo que passa pela migração do deputado federal Mersinho Lucena, filho de Cícero, para os quadros do PSD comandado por Pedro e, nacionalmente, por Gilberto Kassab. No entanto, ficou no ar a ausência do deputado federal Wellington Roberto (PL), que, inclusive, era anunciado como novo filiado do PSD.
O pré-candidato Cícero Lucena deixou claro que pretende efetivar o ex-deputado Pedro Cunha Lima à sua campanha no papel de coordenador do programa de governo a ser debatido com os paraibanos. Pedro revelou ter optado por Cícero pela identidade entre eles, bem como pela garantia do pré-candidato do MDB de incorporar bandeiras que Cunha Lima desfraldou na disputa de 2022, a principal delas a da Educação, sobre a qual o ex-deputado disserta com conhecimento de causa e outras propostas como o fim da Granja Santana, residência oficial dos governadores do Estado, para sua transformação em parque ecológico e sócio-educativo. A partir de agora, as tratativas deverão ser aceleradas para definição não apenas da candidatura a vice-governador, mas da segunda candidatura ao Senado, já que a única definida é a do senador Veneziano Vital do Rêgo.
Afastado dos quadros de poder estaduais desde o segundo mandato de Cássio Cunha Lima, que foi interrompido pelo Tribunal Superior Eleitoral no começo de 2009, o grupo Cunha Lima enfrentou mais três revezes, com a derrota de Cássio para Ricardo Coutinho em 2014, uma outra derrota de Cássio na renovação do mandato ao Senado em 2018 e, por último, o revés enfrentado por Pedro Cunha Lima na disputa memorável ao Executivo em 2022. O “clã” mantém, não obstante, espaços de prestígio a partir de Campina Grande e do Compartimento da Borborema e ótima interlocução com líderes políticos distintos, de partidos variados. Noves fora a indefinição sobre a vice e a segunda vaga de senador, a chapa de Cícero demonstra capacidade de reação para não perder o favoritismo com que passou a liderar pesquisas de intenção de voto e que convenceu o prefeito da Capital a largar o segundo mandato consecutivo para arriscar uma eleição ao Executivo. O apoio de Pedro foi consolidado em sintonia com a cúpula nacional do PSD e após exaustivos debates internos no seu agrupamento sobre as perspectivas para 2026.
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