João Pessoa ainda é uma das cidades mais baratas do Brasil? Preços de turismo, serviços e imóveis disparam na capital paraibana

Publicado por: redacao em

Conhecida por décadas como uma das capitais brasileiras com menor custo de vida, João Pessoa começa a rever esse título. Impulsionada pelo crescimento do turismo, pela valorização imobiliária e pelo aumento da demanda por serviços, a capital paraibana tem registrado altas expressivas de preços, levantando o questionamento: a cidade ainda pode ser considerada uma das mais baratas do Brasil?

O impacto é sentido, principalmente, nos pontos turísticos. Um exemplo simbólico é a água de coco, tradicionalmente associada ao lazer na orla. Segundo levantamento divulgado pelo Procon-PB nesta semana, o produto, que já foi vendido a R$ 2,00, pode custar até R$ 10,00 em quiosques de Tambaú e Cabo Branco durante o verão. A pesquisa, realizada no dia 6 de janeiro em 31 estabelecimentos, apontou que o coco verde unitário apresentou variação de 185,71%, sendo encontrado por valores entre R$ 3,50 e R$ 10,00.

Outros itens populares também registraram oscilações expressivas. A água de coco em jarra de 500 ml teve preços entre R$ 6,90 e R$ 19,90, variação de 188,41%. Já a jarra de 600 ml foi comercializada entre R$ 14,90 e R$ 22,00. Entre as águas minerais sem gás, a marca Petrópolis (500 ml) apresentou valores de R$ 2,50 a R$ 6,00, uma diferença de 140%, enquanto a Crystal, no mesmo volume, variou entre R$ 4,00 e R$ 6,00.

A pressão nos preços não se limita ao setor de serviços e turismo. O mercado imobiliário é outro termômetro da mudança no custo de vida da capital. De acordo com o Índice FipeZAP de Locação Residencial, João Pessoa acumulou alta de 15,31% no preço do aluguel em 2025, figurando entre as cinco cidades brasileiras com maior valorização no período. O percentual supera com folga a inflação oficial do país, que fechou o ano em 4,26%, segundo o IPCA do IBGE.

Com esse avanço, o valor médio do metro quadrado para locação atingiu R$ 47,64 em dezembro de 2025. Apenas no último mês do ano, a alta foi de 0,83%, mantendo uma trajetória de crescimento ao longo dos 12 meses. Entre os bairros mais caros para alugar imóveis estão Cabo Branco, com média de R$ 59,4 por metro quadrado, seguido por Jardim Oceania (R$ 52,4/m²), Miramar (R$ 51,4/m²), Manaíra (R$ 50,8/m²) e Bessa (R$ 50,5/m²). Miramar, inclusive, liderou a variação anual entre os bairros monitorados, com aumento de 28,8%.

O FipeZAP também aponta que a rentabilidade média do aluguel em João Pessoa chegou a 6,72% ao ano em dezembro de 2025, acima da média nacional das 25 cidades analisadas, que ficou em 5,96%. O índice coloca a capital paraibana entre as mais atrativas para investidores imobiliários, com retorno próximo aos níveis registrados pela última vez em 2011.

No mercado de venda de imóveis, a tendência de valorização se mantém. João Pessoa foi a segunda capital brasileira com maior aumento nos preços de imóveis residenciais em 2025, com alta de 15,15%, ficando atrás apenas de Salvador, que registrou crescimento de 16,25%, segundo o Índice FipeZAP divulgado no início de janeiro.

O cenário reforça uma mudança no perfil econômico da cidade. A maior visibilidade nacional, impulsionada pelo turismo e pela busca por qualidade de vida, aqueceu o mercado e elevou preços, mas também reacendeu o debate sobre acessibilidade e custo de vida. Diante desse contexto, João Pessoa segue atrativa, mas já não ostenta com a mesma facilidade o título de capital mais barata do Brasil.

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