
O rompimento político entre o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB) e o governador João Azevêdo (PSB) já dá sinais de acirramento por parte dos apoiadores dos dois líderes, apesar de tentativas de camuflagem que são assumidas isoladamente por agentes políticos e por secretários das respectivas administrações.
Os chamados “núcleos duros” situados no entorno de João e de Cícero, na verdade, pressionam para a consumação do divisor de águas, que significa a virada de página de uma parceria ou alinhamento que durou bastante.
Afinal de contas, a campanha eleitoral está se aproximando, os prazos fatais estão se acelerando, os pré-candidatos precisam se posicionar claramente perante o eleitorado até mesmo para não confundi-lo nas preferências que vão ser tomadas no confronto a céu aberto nas urnas. Casos isolados, de manifestação de um ou outro secretário, fugindo do enfrentamento, não se sustentam no ambiente de hostilidade.
O vice-prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, que foi apadrinhado pelo governador João Azevêdo para compor a chapa de Cícero nas eleições de 2020 e 2024, relutou o quanto pôde em oficializar ruptura de laços com o chefe do Executivo estadual, mas se sentiu impelido a tanto depois de algumas atitudes como a sua destituição da presidência do diretório municipal socialista.
Na sequência, polemizou com dirigentes como Tibério Limeira, da Executiva estadual, e Ronaldo Barbosa, da seção pessoense, sendo criticado por supostamente tentar colocar o projeto do partido no interesse de Cícero, com quem tem afinidade estreitíssima. Leo assumirá a titularidade da prefeitura em abril, quando da desincompatibilização do alcaide emedebista, e já foi designado coordenador político do pré-candidato ao governo, o que comprova que era inviável a ambiguidade de posições num cenário francamente radicalizado.
O governador João Azevêdo tem pontuado que o ex-aliado Cícero Lucena fez suas próprias escolhas e, por via de consequência, deve assumir plena responsabilidade por essas escolhas. Insiste em dizer que Lucena deixou-se contaminar por ambições pessoais, não se identificando com um projeto de grupo.
Em termos concretos, Cícero alegou que não foi respeitado no direito de postular a indicação como candidato ao Executivo, não obstante ter liderado pesquisas de intenção de voto realizadas por diferentes institutos especializados.
A emulação de Cícero, no caso, se dá com o vice-governador Lucas Ribeiro, do Progressistas, ungido previamente como candidato natural ao Palácio dos Despachos tanto com o aval do governador João Azevêdo como com a bênção do deputado Hugo Motta, expoente do Republicanos e presidente da Câmara dos Deputados.
Para a opinião pública, é notória a guerrilha travada entre Cícero e o vice-governador Lucas Ribeiro, este apontado em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. Deputados estaduais como Hervázio Bezerra, do PSB, e Felipe Leitão, disseram “Nego” à candidatura de Lucas Ribeiro e fecharam com Cícero.
Lucas ganhou o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino, que chegou a se colocar como alternativa no papel de pré-candidato mas não avançou até o mês de dezembro, oficializando sua desistência sob o pretexto de falta de apoios mais sólidos.
Lucas e o “staff” de sua campanha, em que se projeta o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, têm contabilizado adesões de lideranças municipais e procuram reforçar a logística dos apoios para assegurar a capilaridade indispensável a um confronto competitivo, inclusive, na perspectiva de concretização de um segundo turno nas eleições majoritárias deste ano.
O embate declarado entre os apoiadores de Cícero e os seguidores do governador João Azevêdo se estende à comparação sobre qual gestor foi mais operoso na implementação de obras de impacto na Capital do Estado.
O governador, por estar num patamar elevado, é habitualmente considerado um segundo prefeito de João Pessoa, e João Azevêdo tem um portfólio de grandes realizações que é difícil ignorar por parte de adversários mais ferrenhos que sempre o combateram. Cícero Lucena faz malabarismo para ficar bem na fita e para dividir trunfos com o governo estadual.
O rompimento provocou quebra na parceria administrativa que vinha sendo bem-sucedida e aplaudida pela população pessoense, diante dos resultados positivos alcançados e do volume de investimentos até então executados em conjunto. O jogo político tornou João e Cícero adversários aparentemente irreconciliáveis.
Fonte: Nonato Guedes
Créditos: Polêmica Paraíba
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