
Em evento agendado para amanhã, em Campina Grande, numa entrevista à imprensa, o pré-candidato a governador Cícero Lucena (MDB) confirmará o nome do empresário Diogo Cunha Lima (PSD) como pré-candidato a vice na sua chapa. O ex-prefeito de João Pessoa ressaltou que Diogo, filho do ex-governador Cássio Cunha Lima, ‘agrega’ reforço à sua chapa, pela sua atuação junto ao segmento produtivo e pela boa imagem construída a partir do segundo colégio eleitoral do Estado. Diogo nunca disputou mandato eletivo mas, na primeira fala à imprensa, em meio a especulações sobre o seu nome, declarou estar “preparado” para encarar o desafio. Além dele, Cícero terá na sua chapa outro representante de Campina Grande, o senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual do MDB, que concorre à reeleição.
A opção por Diogo foi construída depois da recusa de Pedro Cunha Lima em ser candidato a vice, explicando que não pretende concorrer a nenhum mandato eletivo este ano. Outros nomes foram sondados, como o do deputado federal Romero Rodrigues, do Podemos, e o do deputado estadual Fábio Ramalho, do PSD, mas o de Diogo prevaleceu, inclusive, pelo simbolismo da sua juventude, com potencial para atrair e sensibilizar eleitores do primeiro voto que estejam desiludidos ou desinteressados com a atividade política. Pedro Cunha Lima, irmão de Diogo, foi candidato a governador pelo PSDB nas eleições de 2022 e teve um desempenho surpreendente, avançando para o segundo turno numa disputa contra o então governador João Azevêdo, que se manteve à frente do comando da máquina estadual. Naquelas eleições, Pedro suplantou o próprio senador Veneziano, que concorreu no primeiro turno apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A escolha feita por Cícero inverte uma tradição que vinha prevalecendo na relação entre os Lucena e os Cunha Lima. O “clã” liderado por Cícero sempre forneceu nomes para vice, a partir da indicação dele, quando era empresário da construção civil, para companheiro de chapa do poeta Ronaldo Cunha Lima na disputa ao governo do Estado em 1990. A chapa enfrentou como principal adversário o ex-governador Wilson Leite Braga, liderança prestigiosa do cenário político paraibano, que foi derrotado no segundo turno por causa do desgaste que lhe afetara no desenrolar de sucessivos embates nas urnas e da reconfiguração natural do próprio panorama político local e da correlação entre forças políticas com espaço e musculatura no quadro de poder. Em 2002, quando da primeira eleição de Cássio Cunha Lima, filho de Ronaldo, ao governo do Estado, sua vice foi Lauremília Lucena, mulher de Cícero. Cássio derrotou em segundo turno o então governador Roberto Paulino, que havia assumido no lugar de José Maranhão.
Desinteligências políticas, cevadas em decepções e falta de sintonia ou estimuladas por fadiga no próprio relacionamento pessoal, até como reflexo de novas conjunturas que se descortinavam na realidade paraibana, provocaram o distanciamento entre Cícero Lucena e Cássio Cunha Lima, com o ex-prefeito de João Pessoa buscando novos parceiros e tecendo aliança com o governador João Azevêdo (PSB) para fortalecer-se no projeto de voltar à prefeitura de João Pessoa. João e Cícero estiveram juntos em 2020, ano que marcou a reabilitação política de Cícero, e em 2024, quando se desenhou a reeleição do então gestor da Capital, naquela que terá sido uma das mais difíceis e desgastantes batalhas do seu currículo. A parceria administrativa foi um sucesso até o momento em que Cícero entrou em rota de colisão com João Azevêdo por insistir em ser pré-candidato ao governo em 2026, divergência que, primeiro, o afastou do PP e, depois, levou-o a romper com o líder socialista. Em 2026, estarão em palanques opostos, como prevê o manual da dinâmica política.
A confirmação do nome de Diogo Cunha Lima como vice de Cícero Lucena e de Veneziano Vital do Rêgo como pré-candidato à reeleição reforça a representatividade de Campina Grande nas eleições majoritárias estaduais. No pleito deste ano, um filho da Rainha da Borborema, o atual governador Lucas Ribeiro (PP), é candidato à reeleição. Além de Cícero, o senador Efraim Filho, pré-candidato a governador pelo PL, optou por um nome da cidade e por uma mulher, a atual primeira-dama Juliana Cunha Lima, esposa do prefeito reeleito Bruno Cunha Lima, para sua companheira de chapa no prélio, alegando, inclusive, que ela empresta o verniz da sensibilidade feminina à candidatura majoritária e que possui um trabalho elogiável no atendimento a segmentos vulneráveis da população. O governador Lucas Ribeiro, até o momento, não definiu quem ocupará lugar de vice na sua chapa, mas, em entrevistas, já disse que não descarta a hipótese de escolher uma mulher.
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