Campeonato do Passa-Pano: quantas polêmicas cabem debaixo do tapete da OAB-PB?

Publicado por: redacao em

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Opinião Paraíba

Quantas denúncias, controvérsias e episódios envolvendo integrantes da advocacia precisam surgir para que a OAB-PB demonstre, dentro de casa, a mesma firmeza que exibe em relação a profissionais adversários.

A pergunta tornou-se inevitável.

A lista de situações que vêm provocando questionamentos na advocacia paraibana cresce. E, com ela, surge uma provocação incômoda: se existisse campeonato de “passa-pano”, a atual gestão estaria brigando pelo primeiro lugar?

Entre episódios anteriores envolvendo integrantes e personagens ligados à política institucional da Ordem, surgem agora novas e graves alegações que circulam na advocacia e que, justamente por sua natureza, exigem esclarecimento, apuração e posicionamento.
Uma delas envolve o advogado Hilton Maia, citado em alegações relacionadas a um suposto episódio de violência doméstica. Se existe acusação e inclusive prisão, qual foi a postura institucional adotada pela OAB-PB? Houve acompanhamento? Algum procedimento foi instaurado? A categoria recebeu alguma informação?

Outro episódio envolve a advogada e Vereadora Rebeca Sodré e o advogado Cairo Soares, em uma controvérsia na qual são mencionadas alegações de misoginia e ameaça. Não cabe logicamente antecipar culpa de qualquer envolvido. Mas cabe perguntar: diante de acusações dessa gravidade entre integrantes da própria advocacia, qual foi a atuação da Ordem?
Esse silêncio chama ainda mais atenção quando comparado ao próprio discurso institucional da OAB-PB.

A entidade promove campanhas de enfrentamento à violência contra a mulher, mantém estruturas destinadas à advocacia feminina e já participou de articulações para ampliar a rede de proteção às mulheres no Estado.

Então a pergunta é inevitável: a mesma atenção a essas campanhas aparece quando a controvérsia está dentro da própria advocacia?

É justamente essa régua que precisa ser observada.

Não se pede condenação antecipada. Pede-se coerência. Pede-se transparência. Pede-se que denúncias graves recebam tratamento institucional compatível com sua gravidade, independentemente de quem esteja envolvido.

Porque ética não pode depender de amizade, grupo político, tamanho do escritório ou proximidade com o poder.

A OAB não pode ser rigorosa com adversários políticos e silenciosa com aliados como em relação aos citados advogados. Não pode defender mulheres no discurso e relativizar denúncias quando elas acontecem com aliados.  Tampouco pode permitir que interesses  políticos e pessoais determinem quem merece cobrança e quem merece silêncio.

E “passar pano” possui uma ironia inconveniente: quanto mais se tenta esconder a poeira, mais evidente fica o volume do tapete.

A advocacia paraibana não tolera proteção seletiva. Merece uma Ordem independente.

E Harrison Targino precisa responder à pergunta que começa a incomodar cada vez mais: quando a polêmica envolve alguém próximo aos círculos de influência da advocacia paraibana, a régua ética continua sendo exatamente a mesma?

Porque independência institucional não se prova quando é conveniente.
Prova-se quando o posicionar-se tem um custo político.

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