
Os corredores do Senado Federal foram marcados por uma reviravolta nesta quarta-feira (4), que paralisou os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O depoimento mais aguardado da semana, do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi cancelado após sua prisão preventiva em São Paulo, durante ação da Polícia Federal (PF).
Cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também prestaria depoimento, foi preso em Brasília.
A terceira fase da Operação Compliance Zero não apenas retirou o principal convocado da oitiva, como levou o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), a suspender as sessões previstas para o dia.
Em comunicado, Contarato afirmou que a prisão do convocado altera a dinâmica da fiscalização parlamentar. “A decisão judicial que torna o comparecimento facultativo ou, como hoje, a prisão de um convocado em outra instância, inverte o papel da fiscalização parlamentar. A CPI seguirá firme, mas precisamos de acesso integral aos dados da PF”, declarou.
Segundo nota da Polícia Federal, a operação apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro que teria movimentado recursos de facções criminosas por meio do sistema bancário formal.
“Vazio” na CPI
A prisão ocorre em meio a um cenário de esvaziamento da comissão. Outros nomes considerados estratégicos, como o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, e o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, obtiveram decisões favoráveis no Supremo Tribunal Federal (STF) para não comparecerem ou permanecerem em silêncio.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o colegiado está sendo “asfixiado” por decisões judiciais e por acontecimentos externos.
“Devemos apresentar recurso contra as dispensas de depoimentos, mas ainda não definimos a forma. O que vemos hoje é um impedimento prático para que a sociedade entenda como o crime organizado infiltrou-se em instituições financeiras de grande porte”, disse.
Próximos passos
Com a pauta esvaziada, a CPI deverá reorganizar o cronograma. A expectativa é que, na próxima semana, os parlamentares concentrem esforços na análise de documentos obtidos por meio da quebra de sigilo bancário da Maridt Participações, empresa ligada a familiares de magistrados e que, segundo apuração, teria recebido repasses milionários de fundos operados por Vorcaro.

