
Uma experiência realizada pelo prefeito de Criciúma, em Santa Catarina, Vagner Espíndola, conhecido como Vaguinho, ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a realidade das pessoas em situação de rua e a eficácia das políticas públicas voltadas para essa população.
O gestor passou cerca de 20 horas disfarçado de morador de rua com o objetivo de vivenciar a rotina enfrentada por quem vive nas ruas e avaliar, na prática, os serviços oferecidos pelo município. A intenção inicial era permanecer 24 horas na experiência, mas ela foi interrompida antes do previsto, após o prefeito ser reconhecido por uma equipe da assistência social da própria prefeitura.
A ação aconteceu em julho de 2025 e foi registrada em vídeo, divulgado posteriormente nas redes sociais. Segundo Vagner Espíndola, a proposta era entender melhor as dificuldades enfrentadas por essa parcela da população e verificar como funciona o atendimento oferecido pelos serviços públicos.
Ação para entender as dificuldades
Durante o período em que esteve nas ruas, o prefeito pediu ajuda em semáforos, recebeu alimentos de moradores e relatou ter conseguido R$ 5 em apenas 15 minutos. Um dos momentos que mais o emocionou, segundo contou, foi ter passado pela própria esposa e pelos filhos sem ser reconhecido, fato que, na avaliação dele, demonstrou a invisibilidade vivida por muitas pessoas em situação de rua.
À noite, Vaguinho circulou pela região do Pinheirinho e dormiu sob a marquise da Igreja Santa Bárbara. O experimento chegou ao fim quando uma equipe da assistência social do município se aproximou para oferecer ajuda. Após a abordagem, o prefeito revelou sua identidade.
Repercussão e debate sobre políticas públicas
Nas redes sociais, Vagner Espíndola afirmou que é necessário tratar a questão da população em situação de rua com dignidade, mas também com firmeza. Segundo ele, é preciso garantir acolhimento e oportunidades, ao mesmo tempo em que espaços públicos sejam preservados para a convivência das famílias.
A iniciativa provocou reações distintas. Enquanto apoiadores elogiaram a experiência e defenderam que ela pode contribuir para o aprimoramento das políticas públicas, críticos argumentaram que um período de apenas 20 horas não é suficiente para reproduzir a realidade enfrentada por pessoas que convivem com a situação de rua por meses ou anos.
Mesmo com as divergências, a ação colocou novamente em evidência o debate sobre vulnerabilidade social, assistência pública e os desafios enfrentados pelas cidades brasileiras no atendimento à população em situação de rua.
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