
A Polícia Civil da Paraíba e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, deflagraram, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (20), a Operação Purgatório, em Caaporã, no Litoral Sul do estado. A ação investiga a possível existência de uma organização criminosa instalada dentro do Poder Executivo municipal e cumpriu mandados na Prefeitura e em outros endereços ligados à investigação.
No âmbito da operação, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) determinou o afastamento do prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União). As investigações apontam para possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos, especialmente na coleta de lixo, além de suspeitas de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais.
Segundo o Gaeco, o possível prejuízo aos cofres públicos já chega a aproximadamente R$ 2 milhões.
Vídeo com dinheiro deu origem às investigações
A apuração teve como um dos pontos de partida um vídeo divulgado em 2024 pelo Jornal da Paraíba, no qual Chico Nazário aparece recebendo uma bolsa contendo dinheiro em espécie. Na época, o Blog apurou que o montante seria de aproximadamente R$ 400 mil.
De acordo com as investigações, o dinheiro teria sido destinado à campanha de Chico Nazário e do então candidato a vice-prefeito, Carlos Monteiro, pelo consultor financeiro Sandro Trajano de Freitas.
Em contrapartida, conforme a suspeita investigada, Sandro teria indicado uma empresa que posteriormente seria contratada pelo município para realizar serviços de coleta de lixo.
Conversas sobre contrato também foram gravadas
Além do vídeo que mostra a entrega do dinheiro, outro registro audiovisual teria documentado conversas sobre a contratação da empresa e a divisão dos valores relacionados ao serviço.
Nas imagens, Sandro Trajano aparece tratando com Chico Nazário sobre a contratação e afirma que havia investido na campanha e esperava que o acordo relacionado à coleta de lixo fosse cumprido.
Chico Nazário, por sua vez, teria respondido que o serviço de coleta de lixo seria de responsabilidade de Sandro e que a indicação da empresa poderia ser feita por ele.
Os conteúdos audiovisuais foram divulgados anteriormente pelo Jornal da Paraíba e passaram a integrar o contexto das investigações.
Contrato de coleta de lixo chamou atenção
Poucos dias depois de assumir a Prefeitura de Caaporã, Chico Nazário publicou uma portaria rescindindo o contrato com a empresa que, até então, era responsável pela coleta de lixo no município. O acordo tinha valor anual de aproximadamente R$ 1,6 milhão e estava previsto para permanecer vigente até março de 2025.
Posteriormente, a empresa HAC Serviços Ambientais LTDA – ME, apontada nas investigações como sendo indicada por Sandro Trajano, passou a prestar serviços ao município por aproximadamente R$ 270 mil mensais.
A contratação para locação de caminhões e recolhimento de resíduos sólidos ocorreu por meio de dispensa de licitação e alcançou o valor total de R$ 3,2 milhões, montante superior ao contrato anterior.
Outro ponto investigado é a nomeação de Sandro Trajano para o cargo de secretário municipal de Articulação Política. Ele recebeu salário de aproximadamente R$ 9 mil mensais e permaneceu na função até agosto de 2025.
Prefeito não se manifestou
O Blog tentou contato com o prefeito Chico Nazário para obter um posicionamento sobre a Operação Purgatório e as medidas adotadas nesta quinta-feira (20). Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
O espaço permanece aberto para manifestação do gestor e dos demais envolvidos.
As suspeitas investigadas pela Polícia Civil e pelo Gaeco ainda serão apuradas no decorrer da operação e do processo judicial. O afastamento e as investigações não representam, por si só, condenação dos envolvidos.
Com informações do Jornal da Paraíba
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