ESCALA 6×1: em entrevista, psicólogo faz alerta: “Um organismo que não descansa entra em colapso”

Publicado por: redacao em

Foto: reprodução/Freepik

As discussões sobre a redução da carga horária de trabalho prometem ganhar ainda mais destaque em 2026. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2015, que prevê o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), com substituição por dois dias de folga (5×2), deve retornar ao centro das votações no Senado e na Câmara.

A PEC também prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas — sem contar horas extras —, é resultado da unificação de duas propostas apresentadas pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Para que o texto entre em vigor, o Senado e a Câmara dos Deputados ainda precisam aprová-lo em duas votações cada, com o apoio mínimo de 49 senadores e 308 deputados. Caso confirmem a aprovação, os parlamentares deverão implementar a mudança de forma gradual.

Nesse sentido, os posicionamentos sobre a proposta variam entre defensores e críticos da redução da jornada. De um lado, há quem argumente que a diminuição do tempo de trabalho pode causar prejuízos à economia, especialmente para pequenos empresários e negócios com equipes reduzidas. De outro, trabalhadores submetidos à escala 6×1 afirmam que as longas jornadas comprometem o descanso e a qualidade de vida, afetando diretamente a saúde física e mental.

Escala 6×1 e Saúde mental

Para o psicólogo Theo Borges, não há evidências de que o cuidado com a saúde mental reduza a produtividade. “A ciência já mostra que, quanto mais descansada a pessoa está, mais produtiva e criativa ela tende a ser. Ambientes acolhedores geram mais motivação. No entanto, muitas empresas negligenciam essas questões por priorizarem o lucro, de forma equivocada, pois acabam perdendo dinheiro e um capital tão valioso quanto: o humano”, afirma.

Segundo o especialista, a falta de descanso, a ausência de lazer e o pouco convívio com familiares e amigos, somados a uma rotina exaustiva, não afetam apenas os trabalhadores, mas também as próprias empresas. “Isso se reflete em erros operacionais, processos por doenças ocupacionais, clima organizacional prejudicado e alta rotatividade. No setor público, há ainda o aumento de atendimentos por transtornos mentais, como ansiedade e depressão, além dos gastos com auxílio-doença”, explica.

Afastamentos

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por motivo de doença, o maior número dos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Para Theo, os números reforçam os argumentos favoráveis ao fim da escala 6×1. “O descanso é fundamental para que o corpo se recupere e funcione adequadamente. Um organismo que não descansa entra em colapso, com crises de pânico, gastrite nervosa, enxaquecas crônicas, entre outros problemas, que levam ao afastamento”, destaca.

Ele também chama atenção para os impactos na rotatividade de funcionários. “Muitas pessoas permanecem nesses empregos apenas até encontrarem uma alternativa melhor. Quando a empresa perde esse colaborador, precisa recrutar e treinar outro, investindo tempo e dinheiro”, pontua.

Por fim, o psicólogo ressalta que a vida não pode se resumir ao trabalho. “As pessoas precisam fazer mais do que trabalhar. Assim, o sentido da vida vai se perdendo, e surge o burnout, que é o esgotamento da motivação e do desejo de viver. Isso é um adoecimento psicológico, porque não é natural que o ser humano não queira viver”, conclui.

O retorno do tema ao Senado e à Câmara deve intensificar ainda mais as discussões, e é importante considerar também o impacto que a atual jornada de trabalho já provoca na saúde mental dos trabalhadores, assim como nos efeitos destacados para a economia.

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