
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, que é um defensor da ampliação do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sua campanha à reeleição, admitiu, ontem, que MDB e PSD não integrarão a aliança em torno da candidatura do petista. Segundo a “Folha de São Paulo”, emissários de Lula empreenderam esforços para contar, pelo menos, com o MDB na coligação e o próprio presidente chegou a se reunir com dirigentes da agremiação, acenando com a possibilidade de ocuparem a vice na chapa. Mas, de acordo com Edinho, as alianças se darão apenas em alguns Estados. “Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos Estados. Não freio em aliança nacional com esses partidos; temos que respeitar as contradições”, pontuou Edinho, numa alusão às diferenças internas das legendas.
O presidente do PT afirma, porém, que em muitos Estados essas alianças acontecerão. “São muitas lideranças desses partidos que sabem o que está em jogo nessas eleições, que a escolha será de futuro, qual o legado que deixaremos para as futuras gerações. O Brasil da família Bolsonaro já sabemos ao que leva”, advertiu ele. Sem novos aliados ao centro, Edinho se dedica à consolidação de alianças com parceiros tradicionais, a exemplo do PDT, mas, hoje, esbarra em desafios dentro do próprio Partido dos Trabalhadores. É o caso do Rio Grande do Sul, onde uma ala petista resiste ao acordo firmado nacionalmente com o aval de Lula. O PDT declarou apoio a Lula e em retribuição espera contar com a aliança em apoio à candidatura da ex-deputada Juliana Brizola ao governo do Rio Grande do Sul. O PT gaúcho, porém, defende o lançamento de candidato próprio ao cargo. Expoentes da cúpula nacional petista já falam em intervenção no Rio Grande do Sul, mas Edinho, ao ser questionado pela “Folha” sobre essa possibilidade, disse que esse não seria um bom caminho”.
– Prefiro o convencimento político, ele constrói. O PT gaúcho tem tradição de projeto coletivo, sempre foi exemplo para o Brasil. Ainda acredito que vão dimensionar o momento histórico que vivemos e que a tática eleitoral do presidente Lula tem que prevalecer. As decisões do Estado não podem colocar em risco a reeleição do projeto nacional. Não dá para errarmos nessa dimensão, a história irá cobrar. E o preço pode ser politicamente caríssimo”, alerta. Edinho defende a prevalência do projeto nacional sobre interesses locais e apela ao espírito coletivo do PT gaúcho. Temos uma avaliação política de que não há como derrotar o fascismo no Brasil sem a construção de um campo democrático forte. Nesse sentido, a tática para essa vitória é a reeleição do presidente Lula. Não podemos ter essa leitura e decidir em contradição a isso. Não faz sentido”. Segundo ele, não há nada mais importante que a vitória de Lula, até pelo significado para o futuro do Brasil, para a mudança da correlação de forças da América Latina. Na opinião de Edinho, sinalizaria para o mundo que é possível fortalecer a democracia. A decisão da cúpula nacional petista terá reflexos complicados na Paraíba para o MDB, que através do senador Veneziano Vital do Rêgo, aliado de Lula, aposta todas as fichas na coligação com o PT e no apoio do presidente Lula à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, também do MDB, ao governo do Estado. O PSD, a nível local, não será diretamente afetado, pois é presidido pelo ex-deputado federal Pedro Cunha Lima e abriga políticos bolsonaristas, embora esteja negociando um apoio a Cícero Lucena, que, por sua vez, já declarou que condiciona seu voto em Lula à declaração de apoio do presidente à sua postulação. No reverso da medalha, a presidente estadual petista, Cida Ramos, não descartou a possibilidade de composição com a chapa do vice-governador Lucas Ribeiro (PP), apoiado pelo governador João Azevêdo (PSB), podendo ou não indicar nome para a vice.
A “Folha de São Paulo” revela que o presidente Lula tem cobrado pressa para a estruturação de sua campanha. Escalado para a coordenação geral, Edinho Silva explica que a coordenação política ficará a cargo do GTE (Grupo de Trabalho Eleitoral) do PT. Ainda conforme o dirigente nacional, haverá um fórum dos partidos políticos que apoiam o presidente Lula nos Estados, incluindo partidos que estarão fora da aliança formal. “Também quero ouvir os ex-presidentes do PT, ministros, lideranças que já participaram de campanhas eleitorais. O grupo que está trabalhando hoje tem a tarefa de estruturar a campanha”, frisou. Conforme Edinho, o ministro da Secom, Sidônio Palmeira, permanecerá no cargo e cuidará da comunicação do governo, enquanto o publicitário Raul Rabelo será o responsável pela comunicação da campanha.
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